Com mais de 40 atividades, Mostra Cultural da Cooperifa desafia perseguição à arte

Evento acontecerá entre os dias 21 e 29 de outubro na zona sul de São Paulo e contará com a participação de Wagner Moura, Dexter, Xico Sá, Marcelino Freire, Paulo Lins, Sueli Carneiro, Sarau das Pretas, entre outros   

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No próximo sábado (21), começa a 10ª Mostra Cultual da Cooperifa. Completando 16 anos em 2017, o coletivo da zona sul de São Paulo irá receber visitantes entre os dias 21 e 29 de outubro.

“Nós vivemos um período de censura à arte e cultura. Nós, da Cooperifa, resistimos e vamos levar o que há de melhor feito na periferia e fora da periferia para a Mostra”, afirma Sérgio Vaz, fundador do coletivo, lembrando os episódios recentes em que exposições em museus ou centro culturais foram atacadas por setores conservadores da sociedade brasileira.

Com início marcado para o próximo dia 21 de outubro, a “10ª Mostra Cultural da Cooperifa” levará à zona sul a possibilidade do público transitar entre nomes já consolidados com novidades do cenário cultural brasileiro.

Wagner Moura, Xico Sá e Dexter, figuram na mesma programação que apresentará a cantora Fernanda Coimbra, o poeta Akins Kintê e o rapper Cocão. “É importante trazer gente de fora, mostrar que a periferia se tornou um importante palco da cultura brasileira. Mas a maior parte da programação é, e tem que ser, de nomes que a periferia já conhece e que produzem muito do que é consumido pela periferia”, afirma Vaz.

Em 2017, a Cooperifa completa 16 anos e um sarau especial celebrará a data. “Estamos felizes, são 16 anos de sarau e poesia. Toda semana, nos últimos 16 anos, na periferia de São Paulo, depois  de adorar um deus chamado ‘trabalho’, as pessoas param para ouvir poesia”, encerra Sérgio Vaz.

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Manos e Minas apresenta Yannick

O rapper mostrou as faixas do EP “Também Conhecido Como Afro Samurai”

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 O rapper paulistano Yannick participou do programa Manos e Minas (TV Cultura) no último sábado, dia 7 de outubro. Durante o programa, o artista falou sobre as suas influências, estilo de vida e, claro, cantou algumas faixas do EP “Também Conhecido Como Afro Samurai”.

Para abrir o programa, Yannick escolheu a faixa “A Maldição da Bandana”. Na sequência, apresentou “Afro Vs Justice” e “Luto por você”, faixa que na concepção original conta com a participação de Paula Malvar (Vó Tereza).

Em seguida, cantou “Jinno” e “Também Conhecido Como Afro Samurai Remix”, dividindo o palco com Dieguito Reis (Vivendo do Ócio) e Petrus MC. Para encerrar, a faixa escolhida foi “Ressurreição”, que contou com a participação ao vivo dos irmãos Raony e Keops (Medulla).

Como é de costume no programa, todas as músicas tiveram o apoio do Projetonave. Veja o programa completo aqui

Manos e Minas está no ar há mais de 20 anos e é considerado o principal programa dedicado à cultura hip hop no Brasil. Atualmente, é apresentado por Roberta Estrela D’Alva.

Programa de entrevistas Rima Dela lança sua primeira Cypher

Com realização do coletivo Soul di Rua,  o Rima Dela emplaca hoje, 16 de outubro, a primeira edição  da “Cypher Rima Dela”.
O projeto traz mulheres MCs de diferentes estilos e discursos, com o objetivo de potencializar a participação das mestres de cerimônia em projetos audiovisuais na cena do Rap e questionar a evidente participação em números desiguais de homens e mulheres nos últimos lançamentos que trazem o formato de Cypher.
Idealizado pela produtora e publicitária Rebecca Vilaça, o Rima Dela está no ar desde 2015 e já entrevistou mais de 15 mulheres, entre elas a dupla Oshun, Clara Lima, Luana Hansen, Lívia Cruz, Issa Paz,Sara Donato, Áurea Semiséria e muito mais. O programa sempre priorizou a representatividade e a fala dessas artistas por meio de entrevistas e agora ampliou para esta nova aposta.
Nesta primeira edição o projeto conta com 9 MCs que são: Clara Lima, Issa Paz, Sara Donato, Brisa Flow, Alt Niss, Tati Botelho, AliNega, Anarka e Bia D’oxum. A produção é do beatmaker LR Beats, que fez com exclusividade para a Cypher, mixagem e masterização foi feita pelo produtor Canela.
A gravação foi no espaço Casa Amarela em São Paulo, com direção geral de Rebecca Vilaça, direção de voz Daniel Cassiano (Dcazz) e direção de filmagem e fotografia de Karú Martins.
Confira

Ouça o single de estreia de Mud e Plano B em seu novo projeto

Com uma boa química para desenvolver músicas os mc’s Mud e Plano B resolveram fazer um projeto fora do coletivo Hó Mon Tchain, na qual eles fazem parte. Com isso nasceu o primeiro single desse trampo, “Hattori Hanzo”.

O projeto irá se chamar Mud+Plano B = MUDe seus PLANOs e ano que vem já tem previsão de lançamento de álbum!

“A ideia do som partiu de uma brisa minha num momento de ego puro falando que minhas batidas era como espada Hanzo então só quem é digno poderia cantar em cima.  O (mc) Plano ficou me chapando e algumas semanas depois me veio com a ideia do som, meio que a gente ta insinuando que ‘estamos afiados e poucas ideias tipo as espada Hanzo de kill bill’.”, explica Mud.

O Hó Mon Tchain é um coletivo de hip-hop fundado em meados de 2009 na zona leste de São Paulo, também são conhecidos como “HMT”. O grupo já vem conquistando seu espaço através de um trabalho criativo, independente e totalmente autoral. Composto por seis integrantes, o grupo traz na bagagem dois álbuns: Ascensão e Assim Que Nóis Trabalha. O último trabalho do grupo foi o cypher “Hora Extra”.

 

A geração que cresceu ouvindo “Diário de um Detento”

“São Paulo, dia 1º de outubro de 1992, 8h da manhã”

Se não vier um sininho sinistro na sua cabeça e você não souber completar a próxima frase volte pelo menos uns 20 anos no rap nacional.

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Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que essa é uma das letras mais genais da música brasileira. Além de ser uma denúncia de um dos episódios mais sangrentos do sistema carcerário, que mesmo após 25 anos os responsáveis seguem impune, ela expõe em alto e bom som (papel fundamental do rap) a realidade. Geralmente quando alguém me pede alguma sugestão de rap nacional da velha escola eu sempre indico Diário de um Detento.

Todo dia 2 de outubro, desde que descobri essa música, é um dia de reflexão. Depois que comecei a ler mais sobre o massacre e ouvir outras histórias, a cada ano meu acervo de informações sobre o Carandiru fica maior. Gosto de pensar que cada jornalista tem um “caso especial” com algum evento na história brasileira. O meu foi o 2 de outubro de 1992. Por escrever sobre rap e estar imersa nessa cultura de diferentes formas a clássica música dos Racionais Mc’s cumprem o papel de dar voz a todos os excluídos e presidiários estão inseridos nessa conta.

Foram 111 mortos (pelas contas “oficiais”), esse número ecoa na minha cabeça toda vez que eu leio qualquer matéria ou notícia sobre o assunto. Me incomoda tanto quanto aquele beat constante da música. Me incomoda da mesma forma de saber que um som de 8 minutos não tem refrão e é uma narrativa de um cotidiano. Desde que comecei a ouvir a música a cada ano eu entendo ou descubro o significado de uma linha diferente.

O que incomoda é saber que diante dessa barbárie as chacinas não diminuíram e a impunidade ainda se mantém. Que o pensamento das pessoas ainda continua o mesmo “bandido bom é bandido morto”. Podemos dizer que o que teve início no Pavilhão 9 ainda ecoa. Não tivemos nenhuma lei ou mudança no sistema carcerário que tenha mudado significativamente, pelo contrário, estamos nadando contra a maré de países desenvolvidos para poder diminuir a maioridade penal.

O que Brown cantou diretamente do diário de Jocenir virou um mártir. Não sei se o que me levou para o jornalismo foi a vontade de mudar o mundo ou a vontade de denunciar tudo aquilo que eu cresci vendo. Não sou mc, mas hoje uso minhas palavras para fazer essa denúncia. Cresci ouvindo o álbum Sobrevivendo no Inferno e sei da importância que ele teve para minha formação como pessoa. Obrigada Racionais Mc’s! 

O Rap em Movimento reuniu o depoimentos que falam de como se sentiram ao ouvir esse som pela primeira vez e o que sentem ainda. São Jornalistas, Mc’s… pessoas comuns:

A primeira vez que ouvi Diário de um Detento eu tinha uns 8 a 9 anos. Com 10 pra 11 eu sabia a letra de trás pra frente. Mas eu não entendia o que ela significava.Quando eu tinha 11, quase 12 anos, fui ao cinema assistir ao lançamento do filme “Carandiru” e então tive aquele momento “mind-blow” em que tudo fazia sentido.A poesia contida nessa música começou a me incomodar. E toda vez que eu ouvia a música minha mente ficava cheia de imagens do filme. “Também em 2002 aconteceu na TV uma onda de “reportagens especiais” sobre o massacre, por conta dos 10 anos do mesmo. E as imagens se somavam na minha cabeça, me deixando cada vez mais perturbado ao ouvir o som.

Confesso que por alguns anos eu preferia nem ouvir a música… Quando eu tinha uns 15 eu peguei emprestado o livro “Estação Carandiru”, do Drauzio Varella, e nele me atentei mais aos relatos do cotidiano da cadeia e histórias dos personagens do que no fato do massacre em si. Isso me trouxe outra ótica da música. Passei a prestar mais atenção no que vinha entre Aqui estou mais um dia…. e “dois a dois considerados passaram a discutir”… e menos atenção ao final… E redescobri a poesia novamente de outra forma. Voltei a gostar da música. Parou de me incomodar tanto.

Foi uma música que, junto com outras do grupo Detentos do Rap, escancarou a realidade do sistema carcerário, que ainda é precária pra caralho, mas antes era tudo por baixo dos panos. Poderia ficar horas falando sobre as reflexões que essa poesia me trouxe…Mas quem vai acreditar no meu depoimento?” João Augusto a.k.a Mamutti 011, Mc

“O banco de trás de um chevette tubarão. Qualquer data entre fim de 1999 e primeira metade de 2000. Foi assim a primeira vez que ouvi Racionais e, coincidência ou não, Diário de um Detento. O namorado da minha tia sempre escolhia com muita calma os CDs que colocava perto da gente, coisa leve, mas não sei como nesse dia acabou caindo pro rap. Foi impressionante. Aquilo ficou girando na minha cabeça por muito tempo e eu passei dias com a música entalada na garganta, ou pelo menos os recortes dela que eu lembrava. Segui escutando, um pouco mais velho e com a feliz chegada da internet banda larga em 05/06, mas a verdadeira mudança de perspectiva veio pra mim no fim de 2012, quando mudei pra Zona Norte.

Passar pela sombra do Carandiru todos os dias, olhar o espaço enorme que costumava abrigar a casa de detenção no meio da cidade diariamente é sufocante. Se o papel da arte é transmitir vivência e sensações, é impossível pensar num exemplo que fez isso tão bem quanto Diário de um Detento. O desamparo, o medo, o fatídico fim, cada rima expõe o cotidiano e a loucura que os moradores do Carandiru viveram. Dá pra escutar uma, duas, dez, cem ou mil vezes. O impacto permanece. A dor é viva. A gente não esquece. Não perdoa.” Pedro Catarino, Jornalista

Confira as outras matérias que fizemos em especial a esse álbum icônico:

20 anos de “Sobrevivendo no Inferno”

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Tássia Reis apresenta a marca de roupas “XIU” com música e clipe inéditos

XIU! ” têm o intuito de promover o lançamento de sua marca de roupas que leva o mesmo nome!

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Foto: Gabryel Sampaio

“Escute o que vou lhe dizer, você pode até fingir que não vê. Mas onde ‘cê’ olhar eu vou estar. Eu vou estar, eu vou estar… Então, xiu!”. 

O trecho forte que inicia a nova canção de Tássia Reis já mostra ao que veio: dar voz e empoderamento às pessoas que são silenciadas pela sociedade, mas que resistem ao longo da história, contrariando os esforços de quem insiste em invisibilizá-las. “A ideia foi falar sobre ambição e o sentimento de querer mais do que é imposto pra quem é desfavorecido, e  acima de tudo, fala sobre como somos julgados quando transgredimos esse protocolo”, explica a cantora.

Produzida por Bruce Slim – mais conhecido como Slim Rimografia –, “XIU!” tem a mix e a master assinada por Luis Lopes e foi gravado no estúdio Flapc4, no centro de São Paulo. “Nossa parceria foi muito natural, essa batida foi a primeira que mostrei pra ela. Quando eu vi o esboço da faixa, fiquei fascinado por esse casamento que é bastante poético e melódico, mas não perde o lado contundente e crítico”, afirma.

O clipe gravado no Estúdio Lâmina (SP), traz a cantora vestindo peças ousadas e que enaltecem seu estilo. Trata-se de outro lançamento: sua marca de roupas própria. Também intitulada como “XIU! ”, ela nasce com 8 looks, a princípio, que unem o conforto e liberdade, sem abrir mão da lacração e do close. “Eu quis fazer uma roupa que eu gostaria de usar, assim como eu faço uma música que eu gostaria de ouvir”, completa a cantora.

A ideia é um sonho antigo e veio em 2012, juntamente com sua amiga Talita Freitas. Aos 20 anos, quando saiu de Jacareí, interior de São Paulo, para cursar Design de Moda na Capital, Tássia Reis nem podia imaginar como seria sua vida 5 anos depois.

 

Assista aqui: 

Pusha T vem para o Brasil na primeira edição do Maze Fest

Com outros importantes nomes como Jeff Staple e Shepard Fairey, primeira edição do festival reúne música, skate, arte, sneakers e talks em nove horas de evento na Audio Club

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A Maze, uma das maiores e mais conceituadas lojas de moda e acessórios streetwear do Brasil, anuncia a primeira edição do Maze Fest, evento que incentiva a interação entre jovens e criatividade e inspira através do universo da cultura urbana. O festival, que será realizado na Audio Club, no dia 18 de novembro, conta com atrações especiais como exposições, campeonato de skate, fotos e show do rapper americano Pusha T, colaborador de Kanye West e Pharrell Williams, que se apresenta pela primeira vez no Brasil.

O evento oferece palestras e workshops sobre o mercado brasileiro de streetwear, com destaque para os talks com Jeff Staple, fundador da Staple Design, agência criativa de comunicação visual com sede em Nova York.

O artista urbano contemporâneo, designer gráfico, ativista e ilustrador norte-americano Shepard Fairey assina exposição, prints e fotos inéditos no Brasil. Outro destaque do festival é campeonato de skate em formato inédito.

Uma pop up store da Maze com produtos e lançamento exclusivos, além de uma área arcade e food park para os frequentadores completam o evento. Os ingressos já estão à venda na Ticket360 e na bilheteria da Audio.

MAZE FEST @AUDIO CLUB
18 de novembro, das 14h às 23h.
Av. Francisco Matarazzo, 694 – Água Branca, SP
www.ticket360.com.br
Informações: Sac@audiosp.com.br
fone: 3862-8279