Poetas Ambulantes completam 5 anos de poesia no transporte coletivo

Novo repertório e espetáculo é apresentado no Sesc 24 de maio às quartas e quintas-feiras

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Foto Divulgação: Poetas Ambulantes

Sem palco e sem microfone, os Poetas Ambulantes realizam uma série de intervenções poéticas gratuitas às quartas e quintas-feiras no Sesc 24 de maio. Inspirados nos vendedores ambulantes que atuam nos transportes públicos, comercializando diferentes produtos, o grupo composto por seis poetas distribui poesias e celebra cinco anos de atuação na capital paulista com um novo espetáculo e repertório.  As apresentações começaram na quarta-feira e ocorrem também nesta quinta-feira (21), e nos dias 27 e 28 de setembro e 04 e 05 de outubro.

Apostando na informalidade e na interatividade, os poetas disparam os textos entre as pessoas, distribuem poesias impressas e sem roda e declamam versos que discutem sobre política, feminismo, amor, fé e humor e contam com a energia do público, que influencia o ritmo do sarau ambulante.

Sob a direção do poeta e ator Beto Belinatti o coletivo composto por Mel Duarte, Carol Peixoto, Jefferson Santana, Mari Staphanato e Thiago Peixoto traz textos autorais e de outros autores (clássicos e contemporâneos), explorando as possibilidades da linguagem poética, com uma nova roupagem para as apresentações, trabalhando repertórios reconstruídos e divididos em temas.

Com textos de Daniel Minchoni, Miró da Muribeca, Racionais, Adoniran Barbosa, Marcelino Freire, entre outros, além de autorais, o repertório Essepê traduz a cidade de São Paulo, com todos seus amores e desamores, reproduzindo o caos e as causas que vivem nela. Com Respeita as Minas o grupo propõe um momento de reflexão em torno do universo feminino, falando de feminismo e discutindo sobre machismo, com textos autorais e de outras autoras e autores, como Elisa Lucinda, Alice Ruiz, Anelis Assumpção, Itamar Assumpção, etc.

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Serviço
O quê:
 Poetas Ambulantes
Quando: 21, 27, 28 de setembro / 04 e 05 de outubro às 14h
Onde: Sesc 24 de maio
Endereço: R. 24 de Maio, 109 – República, São Paulo
Quanto: gratuito
Informações: https://www.facebook.com/PoetasAmbulantes/

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HQ’s cantadas de Rodrigo OGI

Uma das coisas que mais me chama atenção nas obras que mais gosto da nona arte, é a forma como as histórias e os personagens, que muitas vezes podem soar não muito convencionais em outros meios, como cinema, livros, séries… Conseguem ter uma narrativa tão rica e cheia de possibilidades.

Muitas ótimas HQ’s tem personagens que parecem ser um tanto fora de contexto dentro do universo em que se passa a história, mas que casam com maestria com o decorrer da mesma. Exemplos disso são:

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Ezekiel em The Walking Dead, o líder de um lugar chamado “O Reino”, com um tigre como animal de estimação. Na mesma história vemos um homem que é chamado de Jesus e luta kung fu.
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Cassidy de Preacher, um personagem que parece ser um homem comum em um universo comum se revela sem qualquer aviso prévio ser um vampiro. Na mesma história temos um adolescente com a cara deformada, que é chamado de “Cara de Cú”.
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Sangrecco da brasileira Mesmo Delivery, um homem que trabalha em uma “empresa de transportes” para o diabo e faz cover do Elvis, não aparenta, mas é melhor na faca do que o Peter Coyote brasileiro.

Obviamente existem muitos outros personagens com essa características em muitas outras HQ’s, mas a questão aqui é que existe um rapper tupiniquim que consegue fazer esse tipo de coisa de forma magistral em suas músicas, o cronista da cidade cinza Rodrigo OGI.

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OGI procurando umas HQ’s no sebo, no programa Estamos Vivos com KL Jay, clique aqui para assistir o programa, mas termina de ler o texto antes.

O vovô OGI já disse mais uma vez em entrevistas que é um grande fã da nona arte, consequentemente a sua obra seria influenciada por isso, abaixo listo algumas (não todas) músicas dele com esse perfil que constroem sua “Gotham Sampa”, com personagens ou situações caricatas.

1 – Zé Medalha

Zé Medalha é um ótimo nome para uma história roteirizada por Garth Ennis, Mark Millar ou Brian Azarello, seja próprio ou mesmo um apelido para um chefe de gangue.

Na música ouvimos a narração de uma luta entre Rodrigo OGI e Zé Medalha, de uma forma onde o cronista cita os objetos usados na treta, e as referências para mostrar como ocorreu a luta.

Me faz lembrar de uma briga na história “Y – The Last Man”, onde a vilã Toyota narra cada movimento feito por ela e de sua oponente na briga, sempre falando dos movimentos, armas e brincando com referências japonesas para dizer que é melhor no mano a mano contra uma americana.

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Y – The Last Man | Volume 8 – Dragões de Kimono

2 – Minha Sorte Mudou  | 3 – Ponto Final

Em Minha Sorte Mudou e Ponto Final fiquei lembrando das HQs do Will Eisner, que mostrava de forma muito bem detalhada como era a vida dos lugares que se passavam suas histórias. Você pode observar um bairro comum de periferia ouvindo essa música, da mesma forma que pode ver de forma palpável como era a vida nas periferias de Nova York lendo “Um Contrato com Deus”.

4 – Escalada

Em Escalada, o que me chamou a atenção foi como OGI mostra a imagem com palavras de como é o personagem central da música:

José Carlos magricelo, tinha um terno amarelo
Dirigia uma Belina cor de caramelo carabina
Seu aspecto era de um hemofílico, crônico

Um cara um tanto quanto “fora dos padrões”, a não ser que seja comum o corretor imobiliário ter esse perfil.

A forma que o abismo é narrada na música me faz lembrar a HQ da Vertigo, A Casa do Fim do Mundo, onde ao olhar para baixo, o personagem pode ser surpreendido a qualquer momento por um monstro criado por ele mesmo.

5 – Trilogia Trindade

Em Trindade (que é dividida em três partes), Rodrigo OGI mais parece um personagem central de algum conto de Sin City, de rolê na cidade fria e falando dos perigos da noite na metrópole.

Ele consegue deixar nas três partes juntas bem palpável a ideia de como a cidade consegue ser densa, fria, colorida, alegre e doida ao mesmo tempo, bem como nas páginas da HQ de Frank Miller.

Destaque para a comparação do barman e do policial Delfin. Na parte três, é genial a forma como ele descreve o devaneio do personagem chegando em casa e se “conectando ao mundo das crianças”, (bem como Dwight McCarty fazendo analogia ao monstro em A Dama Fatal), e logo em seguida indo “lutar” ao estilo Street Fighter para pegar uma mina.

Salcity – conheça o documentário que fala sobre a cena do rap em Salvador

O curta tem participações de Baco Exu do Blues, Cintia Savoli, Contenção 33, Vandal, entre outros artistas e produtores

 A produtora de conteúdo Marra lança o documentário “Salcity – Rap de Salvador 071”, produzido por Bruno Zambelli(BA), Carlos do Complexo(RJ), Douglas da Nóbrega(SP), Leandro Lima(BA) e Rodrigo Caetano(SP). Com grandes participações da nova e da antiga geração de artistas como Baco Exu do Blues, DoisAs, Contenção 33, Vandal, Cintia Savoli, Galf (Ugangue), Diego 157, Mobbiu (ex-Versu2), Dimak, Dj Leandro Vitrola e Opanijé. 

O filme fala como a conexão entre a guerra de facções que acontece no estado da Bahia, o racismo sistêmico e a falta de representatividade negra na política tornaram o rap de Salvador mais agressivo. Abordando temas que vão da falta de interesse dos admiradores do estilo musical, da desvalorização dos contratantes de shows e da falta de atenção da mídia até a produção da música “Sulicídio” de Baco e Diomedes. Que transformou a visão do futuro de muitas pessoas que estão na resistência faz muito tempo ali e provocando uma grande onda de xenofobia de opositores.

​O processo de produção contou só com o dinheiro da condução, o apoio de muitas pessoas e apenas uma semana de gravação. O principal intuito é deixar um registro para as gerações futuras.

Confira aqui o documentário completo:

Essa história começou assim:

Em setembro de 2016 Douglas da Nóbrega pegou o dinheiro que juntou com freelas, arrumou uma câmera emprestada e foi do Grajaú (SP) para Salvador (BA) com seu parceiro Leandro. Seu amigo apresentou Dimak, um mestre em graffiti e rap do hip hop de Salvador, que contou diversas histórias do começo do hip hop na cidade e do que estava rolando na cena atual. No momento Sulicídio causava uma grande repercussão e ainda nenhum rapper tinha respondido a música. Todos ficaram frustados que muita gente não entendia o que eles estavam querendo falar e os problemas que passavam lá. Então Leandro e Douglas resolveram documentar o que estava acontecendo no rap de Salvador naquele período com pontes feitas por Dimak.

 

18 anos de “Murda Muzik”, o quarto albúm do duo Mobb Deep.

Há 18 anos atrás, em 17 de Agosto de 1999 o duo Mobb Deep cuspia fogo com mais um clássico nas ruas. Intitulado “Murda Muzik” era o quarto disco e estúdio do grupo, que daria vida aos hits Ïts Mine” com participação do Nas, “Let A Ho Be A Ho”, “Spread Love” “Whats Ya Poison” e um dos maiores clássicos do grupo, “Quiet Storm”.

O disco foi praticamente todo produzido pelo Havoc, com participação também de The Alchemist, Epitome Shamello Buddah, Jonathan Williams e T-Mix nas batidas. As rimas ficaram por conta também de Havoc, Prodigy (esteja em paz, negão!), participações de Nas, Cormega, Big Noyd, Kool G Rap, Lil Kim e Raekwon.

O disco atingiu #3 nas paradas da Billboard 200, #2 no Top R&B/Hip Hop Albums e #6 no Top Canadian Albums.

É, pra mim, o segundo melhor trabalho do grupo, o que mostra a era de ouro da dupla do Queens na década de 90. Sujo, violento, marca registrada de uma das maiores duplas da história do Hip-Hop.

Quem não conhece, dê um play com atenção aqui em baixo.

Quem conhece, qual o teu som favorito?

#RIPProdigy

Álbuns que você precisa ouvir : All Eyez on me

Chegou a hora de falar de um dos clássicos do 2pac. Vamos falar de All Eyez on Me! Lançado em 13 de fevereiro de 1996, All Eyez on Me é o quarto álbum de estúdio do rapper. Regado de clássicos é considerado um dos melhores lançamentos dos anos 1990 (apesar de eu achar o Ru still down mais pancada, mas isso rende outra resenha).

Vamos aos números do álbum: Primeiro álbum duplo da história do rap; Teve nove certificados de platina pela RIAA em 1998;Os singles “California Love” (HINO) e “How Do U Want It” ficaram em primeiro lugar em todas as paradas norte-americanas.

All Eyez on me foi o segundo álbum de 2pac a chegar nas paradas da Billboard (o primeiro foi Me against the world). Também é um dos álbuns mais vendidos de Pac.

Com toda certeza All Eyez on Me é o auge da carreira de Pac. Além dos singles saíram vários clássicos do álbum, “All Eyez on Me”,  “Of Amerikaz Most Wanted” e “Ambitionz Az a Ridah”.

O álbum tem participações lendárias de Outlawz, Snoop Dogg, George Clinton, Nate Dogg, House of Pain, Dr. Dre, Method Man e Redman.

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Início da era Death Row

Outro fato importante sobre esse álbum é que ele foi lançado pela Death Row Records! (Alô galera das teorias da conspiração) 2pac assinou com a gravadora após Suge Knight ter pago sua fiança. O rapper havia feito um acordo com o empresário, sua liberdade em troca de assinar com a Death Row. Ele chegou ao estúdio poucas horas depois de ser solto da prisão para começar a trabalhar nas 27 faixas.Tupac terminou o álbum em apenas duas semanas.

 

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Tupac e Suge Knight

Faixas destaque

Pac abre o álbum com a música “Ambitionz az a Ridah” onde fala sobre o tiroteio em uma gravadora em 1994, no qual ele levou cinco tiros. Com um beat sinistro e muito ódio nas rimas, Pac abre o disco descendo a letra em todos que o traíram de algum modo. O cara tinha acabado de sair da cadeia, eu não esperaria menos ódio que isso.

“That’s why they tried to set me up. Had bitch-ass niggas on my team, so indeed they wet me  up” (Tinha uns pilantras no meu time, e eles também foderam comigo)

Ele também associa o episódio do tiroteio com a acusação de abuso sexual que o levou para a prisão. Nesta mesma faixa ele fala que voltou reencarnado (e com várias paranoias).  

Outra faixa que merece bastante destaque é a California Love, com um sample  de nada mais nada menos que Zapp a faixa é um verdadeiro clássico e deveria ser um hino da Califórnia! Além do clipe ser gravado ao estilo de Mad Max. Dr. Dre que começa a música com a célebre frase; “Now let me welcome everybody to the Wild Wild West”

O álbum é uma mega produção de qualidade, com beats e samples marcantes além de participações mais do que especiais. All eyez on me é um clássico. Mais do que isso ele é um marco na carreira de Tupac. Existem muitas teorias sobre a morte de Tupac e uma delas está ligada ao CEO da Death Row, Suge Knight. O álbum começa a seguir uma linha sinistra em suas rimas e beeem mais carregado de ódio direcionado.

Diferente dos trabalhos anteriores de Pac esse marca ele carrega até seus últimos trabalhos e seu álbum póstumo que é o “Ru Still Down”.

Confira aqui o álbum completo:

[Não é somente uma capa] | “Things Fall Apart”, o clássico do The Roots em 5 capas, por Kanye Gravillis.

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Qual a sua primeira reação ao ver esta capa?

A minha foi uma risada. E isso diz muito sobre as primeiras impressões que temos diante de certos símbolos, sem antes prestarmos atenção em cada parte dele.

Quando olhei pela primeira vez, rapidamente, para a arte criada pelo artista Kanye Gravillis, eu sorri por achar que a mulher da foto estava sorrindo também. O que é hilário, de certa forma.

Como pude perceber depois, olhando por mais alguns segundos, e fazendo uma leitura mais detalhada, vi que, na verdade, a mulher estava chorando, com um semblante de pavor, seguida por um companheiro, também correndo — da polícia.

O contexto do disco explica o que a capa sintetiza em uma imagem: violência, medo, racismo e um mundo em chamas, imerso em problemas sociais e calamidade.

Uma igreja queimada, uma cena de uma revolta no bairro Bedford-Stuyvesant do Brooklyn, a mão do mafioso assassinado Giuseppe Masseria, uma criança chorando e uma criança que gritava entre destruição em Xangai após o ataque da Segunda Guerra Mundial são as imagens que o diretor de arte costumava exibir para mostrar a humanidade em suas horas mais sombrias.

01# | ”Mulher correndo”

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Data: 1960s
Fotógrafo: Desconhecido
Localização: Bedford-Stuyvesant, Brooklyn

Contexto: Políciais perseguem dois adolescentes negros em Bed-Stuy durante uma revolta. Esta imagem viria a representar o racismo e a injustiça na era do Movimento dos Direitos Civis.

“Esta tornou-se a obra de arte principal por alguns motivos. A capa fazia parecer que a comunidade urbana poderia realmente se relacionar com isso. Ver o medo real no rosto da mulher é muito afetador. Isso se mostra incrivel e agressivo em seu comentário sobre a sociedade. Lembro-me de ir para Tower Records e ver essa foto enorme, foi tão impactante. Não tenho certeza de que isso funcionaria hoje.”

Essa capa é lendária por várias questões, e, uma das principais para mim diz respeito a questão estética, onde foi abandonado um estilo mais cheio de cores, ilustrações nem sempre tão belas feitas pelos artistas da época, até por uma questão de limitação de ferramentas, bem como o uso da fotografia como protagonista desta história. É tudo muito sutil, deixando que a foto fale por si só.

02# | ”Ás nas mãos

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Data: 15 de abril de 1931
Fotógrafo: Bettman
Localização: Nuova Villa Tammaro, 2715 West 15th Street, Coney Island, Brooklyn

Contexto: Mob chefe Giuseppe “Joe the Boss” Masseria foi encontrado morto segurando um ás na mão depois de ter sido assassinado em um Restaurante de Benjamin “Bugsy” Sigel, Vito Genovese, Albert Anastasia e Joe Adonis.

“A mão que segura o cartão de ás mostra uma grande ironia. Parece quase que foi colocado lá. É incrível que essa foto ainda existe! Essa capa é mais simbólica do que as demais. Isso mostra que, mesmo que você obtenha o ás, coisas boas nem sempre estão por vir “.

Metaforicamente, essa capa é perfeita. Mesmo que, na minha opinião, ela não reflita a real luta e linguagem do disco, a metáfora do Às, carta essa que representa um valor gigante em vários jogos de cartas, é incrível. Você ter um às em suas mãos, caído, morto, sorte e azar, é muito foda. O tipo de fotografia que mais me encanta é justamente essa dos momentos perfeitos, das metáforas, das reflexões.

Essa capa me lembra um verso do Prodigy em “Cradle to the grave”, que diz: “Life is like a dice game and i’m in to Win”. Ou não.

03# | ”Á bomba da igreja”

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Data: Desconhecido
Fotógrafo: Desconhecido
Localização: Desconhecido

Contexto: Um incêndio destrói uma igreja e machuca dois bombeiros. Um bombeiro pode ser visto entre os danos.

“Nós não procuramos especificamente bombardeios, mas encontramos essa imagem da igreja que representou um dos maiores fracassos da sociedade. Como país, temos a liberdade de adorar. Essa imagem representa uma enorme violação desse direito. Eu realmente amo a figura nos entulhos e como ela se centra nos restantes vitrais e arcos. Ainda tem uma sensação de espiritualidade, mesmo nos restos queimados “.

Acho uma imagem emblemática. Fazendo uma leitura um pouco mais profundo pode-se chegar a várias conclusões. Alguns entenderiam como um plano divino, outros como crime de ódio, ou até mesmo um golpe de azar. Mas, a luz atravessado a igreja destruída, como um feixe que vem de fora para dentro dá um tom de esperança, como se algo estivesse invadindo aquele ligar inóspito. Ao mesmo tempo tento uma visão apocalíptica da situação, o fim de tudo. Dualidade.

#04 | ”Criança chorando”

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Data: 28 de agosto de 1937
Fotógrafo: HS “Newsreel”
Localização: Estação Ferroviária no Sul de Xangai

Contexto: Esta imagem foi amplamente publicada nos jornais em setembro e outubro de 1937 e passou a representar o resultado da guerra japonesa na China.

“Mesmo que você não seja pai, esta foto capta uma destruição social horrível. Esse click icônico do bebê nos escombros é indicativo do abandono que ainda está ocorrendo hoje”.

Em 1937, o Imperialismo japonês já dava as caras, mostrando seu alinhamento com os fascistas e nazistas, que já estavam se preparando para a Grande Guerra. Na Espanha, Franco já havia dado início ao seu massacre. Na Alemanha e Itália, Hitler e Mussolini caminhavam em direção ao que seria um quase domínio total da Europa. Ouso dizer que o mundo nunca esteve tão próximo do colapso e nunca esteve tão nas mãos do seu pior pesadelo como nas décadas de 30 e 40.

Essa foto representa toda a vida de uma geração que nasceu durante este momento, sem perspectiva, escravizada, jogada a sua própria sorte na mão de ditaduras extremamente racistas e imundas.

Crianças essas que ficaram pelo caminho, que cresceram a sombra do medo, e algumas poucas que conseguiram se reerguer. Destruição e desesperança são duas palavras que definem essa fotografia é o que foi o mundo em 20 anos — é que ainda hoje existe em menor escala.

#05 | ”Criança chorando”

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Data: 1 de agosto de 1992
Fotógrafo: Peter Turnley
Localização: Baidoa, Somália

Contexto: Esta imagem representa a fome que afetou os somalianos durante mais de uma década de guerra civil. Em dezembro de 1992, os Estados Unidos e outros apoios internacionais se espalharam com “Operation Restore Hope”.

“Esta foi a última cobertura que escolhemos. Ela representava a fome em diferentes partes do mundo. Embora fosse a capa mais óbvia, a fome é uma epidemia tão generalizada que achamos que precisava ser incluída”.

Diferente da guerra, a fome é uma forma extremamente mais desumana de óbito da população, por ser a maior representação do descaso governamental. Alimento que deveria ser um direito básico de todo ser humano, visto que nada nesse mundo tem dono — ou seríamos todos donos de tudo?

Não existe muita reflexão estética ou artística em cima desse registro, é a vida nua e crua, estampada e que mostra a verdade sobre o que é viver em países esquecidos, lembrados apenas quando se precisa de novos recursos naturais e mão de obra barata.

Fonte: http://www.complex.com e uns 3 anos ouvindo essa obra quase que diariamente.

“Grime Over”, do selo Carranca Records, chega às ruas. Ouçam!

Puxando o bonde do #braziliangrime, os meninos do Carranca (o trio  ATTICA! e NGMA) saem distribuindo socos como Akuma na velocidade do Sonic no seu novo som, “Grime Over”. Os 3 Mc’s fazem uma homenagem aos jogos e videogames que formaram uma geração inteira, num instrumental produzido por NGMA. Coloque suas fichas no fliperama, vista sua armadura e se prepare pra batalha.


 https://youtu.be/o-rSrX_I_us   

Letras: A’khim/NGMA/Moti

Produção:NGMA/Mud do HMT

Gravação/Mixagem/Masterização: Mud @ Lodo Studio

Arte: Arthur Garbossa