Cíntia Savoli lança álbum intitulado “Sinestesia”

Um álbum de uma mulher para todas as outras! Cíntia Savoli lança nessa sexta, 17 de agosto, o seu álbum Sinestesia. Em seu segundo trabalho a mc fala sobre sua maternidade solo e dificuldades que enfrentou e enfrenta em sua carreira no rap nacional. Suas linhas vem totalmente agressivas, como a vida foi e ainda é para Cíntia mãe, mulher e mc.

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Foto: Rafael do Anjos

CLARA AVERBUCK apresenta:

“Ser mulher nunca foi uma coisa só. Nem duas. Vivemos, por anos, na dicotomia da santa e da puta, da mulher pra casar e da mulher pra fuder. Da mulher “que usa a cabeça” e da mulher que “usa a bunda”. Chega, né? Ser mulher não é uma coisa só e o álbum da Cíntia Savoli aborda várias nuances de sua experiência pessoal: maternidade, a agressividade que dizem que não podemos ter, amor, romance, delicadeza e o cansaço que todas nós sentimos de hora em vez.

Em seu segundo trabalho, ela buscou ter um conceito que permeasse as faixas e isso veio fluindo naturalmente depois que leu “Mulheres que Correm com os Lobos”, que trata justamente de histórias de mulheres selvagens, que habitam ela, habitam a mim e tantas outras. Mais do que uma simples coletânea de arquétipos, é capaz, como as músicas de Cíntia, de trilhar em nós um caminho de através de experiências, cicatrizes e identificação, independente de nossas diferentes trajetórias.

É um álbum feito por uma mulher, claro, mas, diferente do que quer o senso comum, isso não o torna um disco “para mulheres”. É música, afinal, que pode e deve ser apreciada por todo mundo que tem apreço por ideia, beats e melodias, com participações de DaGanja e Celo Dut, produção de Hugo Rodrigues, mix/master do experiente Iky Castilho e direção artística/produção executiva do coletivo MARRA. O rap em seu estado original, com a personalidade que a artista trabalha e carrega em seus 20 anos de carreira.”

Clipe 

 

 

CAPAOFICIALLINK PARA O ÁLBUM: https://spoti.fi/2Bk3jOC

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Álbuns que você precisa ouvir: It’s Dark and Hell Is Hot

Chegou o grande momento! Um dos álbuns mais polêmicos e aclamados dentro do estilo gangsta rap/ Hip Hop Hardcore. Estamos falando do clássico It’s Dark and Hell Is Hot que foi lançado no dia 19 de maio de 1998 e foi a estreia de Earl Simmons ou DMX!

O álbum que estreou em #1 na Billboard 200 surgiu em um momento chave na cena do rap. Ele veio após o Hip Hop ter perdido dois grandes ícones, Tupac e Big!

O disco foi bem recebido pela crítica. A revista Hip Hop The Source descreveu como “Uma obra capaz de englobar o apelo de uma das novas sensações do rap”.

DMX surgiu na cena cheio de ódio! Conhecido por sua voz áspera e suas imitações de latidos (é minha gente, se esse homem grita cmg eu fico chorando uns três dias), ele colocou toda essa energia em suas letras. It’s Dark and Hell Is Hot foi lançado pela Ruff Ryders Entertainment e a Def Jam Recordings. Com beats sombrios e letras extremamente violentas o álbum reflete a personalidade, nada fácil, de DMX.

Entre as faixas destaques estão os singles “, “Get at Me Dog”, “Stop Being Greedy”, “How’s It Goin’ Down” e “Ruff Ryders Anthem”.

A faixa Crime Story possui o mesmo sample do nosso clássico Diário de um Detendo. A música é Easin’ In do cantor Edwin Starr.

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Uma das faixas do álbum que gera bastante discussão é a “X-Is Coming”. Assustadora, a música começa com uma contagem semelhante a música do Freddy Krueger. Carregada de violência, a faixa levanta polêmicas em diversos meios, pois fala sobre assassinato e estupro. O próprio DMX tinha um “lifestyle” bem polêmico na época, mas podemos falar sobre sua biografia me outra hora. Voltando a música, que é muito utilizada para ilustrar post de “músicas machistas e agressivas”, eu tenho minhas ressalvas. Assim como um autor ou roteirista, uma rapper também conta uma história em suas músicas. Eles constroem narrativas ao longo de seu disco. Então, devemos consumir o álbum como se fosse um filme narrado.

Ouça aqui o álbum completo

 

 

 

Top 7×7 dos melhores de 2017

Álbuns 2017 - RapEmmovi

E o ano lírico realmente chegou? O tão falado e prometido ano lírico veio para o rap nacional. Após o marco do Sulicídio a cena do rap BR teve uma ascensão. Como disse Rincon Sapiência (um dos grandes destaques deste ano), no cypher Poetas no Topo 3.1:

R.A.P, tava deprê

Não pegava um sol e nem transava

Tava longe do barraco e do apê

E na rua a resenha tava bem braba

Ele voltou, reapareceu

Seu nome tava numas boca bem paia

Tava pálido, agora já escureceu

E por falar em poetas no topo, que ano para a Pinapple! Diversos cyphers, acústicos e perfis. E muitas polêmicas também, mas vamos deixar polêmica para o ODB!

Você pode até não se identificar com muitos que estão em destaque na cena, mas tem que concordar que eles estão movimentando bastante o rap nacional.

Voltando para Sulicidio, eu vi que a música já completou um ano! Podemos classificar a cena do rap nacional como “Rap nacional antes de Sulicidio (a.s) e depois de Sulicidio (d.s) ”. Profético? Talvez.

Podemos contar a história do rap nacional a partir desse marco. Depois de tantas diss e tantas promessas de diss. Vieram os reactions e o youtube que vem pagando o almoço de muita gente, frase essa que é do álbum Regina do Nill. Que inclusive está na lista de álbuns do ano.

Antes de chegar nos álbuns do ano e nos destaques eu resolvi fazer essa breve introdução. Nosso rap está se tornando cada vez mais profissional e ganhando mais espaço. Grupos de discussão, labels, cyphers e outras mais produções vem fortalecendo o mercado do rap. Sim, mercado! Já estamos indo para 2018 e não tem o porquê você se escandalizar que um rapper ganha dinheiro com sua música. Pode parecer absurdo esse tipo de pensamento, mas é real.

Mas vamos voltar a falar do Baco, que também entrou na lista do Rap em Movimento como destaque do ano com o álbum Esú. O baiano abriu os olhos do consumidor de rap para outros estados e outras cenas que também são importantes. Vivemos em um país multicultural e o estilo musical mais do que nunca está passando por diversas mudanças. Estamos nos alimentando dos modelos da cena dos EUA, mas dando aquele toque BR. 

O que eu espero para 2018 é que o rap nacional venha se desenvolver muito mais e ter mais espaço para abrir um mercado. 

Sem mais delongas vamos aos álbuns do ano! Escolhi 7 álbuns nacionais e 7 álbuns da gringa. Por que 7? Números cabalísticos? Talvez rsrsrrs

Os álbuns estão na ordem de sua importância, para essa que vos escreve. Podem haver controvérsias, mas o álbum do Joey entra em primeiro por obter um conteúdo político muito forte e pela evolução visível do artista. Kendrick já está consagrado desde o álbum To Pimp a Butterfly. Inegavelmente o ano de 2017 foi de Kendrick, mas All Amerikkkan Badass tocou na ferida de assuntos atuais e surpreendeu muita gente!

Pensei muito para compor essa trindade, pensei em encaixar o 4:44 várias vezes, mas não poderia tirar o Bada$$ e nem o Kendrick. Mas o Flower Boy é um putaa álbum! Que álbum senhores. Tyler, o criador (para os BR), levantou polêmicas sobre sua sexualidade e nos presenteou com uma obra prima.

Da gringa

  1. All Amerikkkan Badass – Joey Bada$$
  2. DAMN – Kendrick Lamar
  3. Flower Boy – Tyler, The Creator
  4. 4:44 – Jay Z
  5. Neva Left – Snopp Dogg
  6. You Only Live 2wice – Freddie Gibbs
  7. Culture – Migos

Rincon Sapiência e Baco são os homens do ano para o rap nacional! Sem mais! Nessa trindade entra o álbum sensível do nosso querido cronista, Rodrigo Ogi. Fez até marmanjo chorar! Depois do icônico álbum RÁ!, Ogi veio com essa paulada mostrando todo seu sentimentalismo e maturidade. Um dos grandes destaques da lista também é o álbum do Primeiramente. Lançado no finzinho do ano o trampo está impecável com uns vocais pesadíssimos de NP! Me surpreendi demais com esse lançamento.

Rap BR

  1. Esú – Baco Exú do Blues
  2. Galanga Livre – Rincon Sapiência
  3. Pé no Chão – Rodrigo Ogi
  4. Heresia – Djonga
  5. Rimas e Melodias – Rimas e Melodias
  6. Na Mão do Palhaço – Primeiramente
  7. Regina – nILL

Cyphers do ano

Vida Real – Correria – Makonnen Tafari – Baco Exu do Blues – Lukas Kintê – Vandal & Ravi

Avuá – Emicida, Rael, Kamau, Coruja BC1, Drik Barbosa e Fióti

Singles destaques 

Bodak Yellow – Card B

Crew – Goldlink ft Shy Glizzy, Brent Faiyaz

CherryBlossom – Solveris

Flow de Lázaro – Froid

OGI fincando o “Pé no Chão” do ano lírico

Não sei se 2017 é o ano lírico de fato, 2018 pode ser melhor, nunca se sabe não é mesmo? Mas o fato é que, Rodrigo OGI não poderia ficar de fora do ano que ganhou tal apelido.

Digo isso porque o cronista já tem lançado trampos de qualidade lírica invejável a um tempo, e a cada novo disco é perceptível a evolução do artista. Um MC que mantém seu estilo (a gente falou um pouco sobre isso nesse post aqui), no decorrer dos anos sem cair na mesmice e ficar clichê.

O disco já me impactou logo de cara, pois já dá um prelúdio de como vai ser o EP, começa com a voz do escritor João Antônio fazendo um paralelo entre o da escrita com o seu bem estar, é basicamente o OGI dizendo para o ouvinte que para se manter com o Pé no Chão, ele precisa fazer aquilo que sabe fazer de melhor, que é escrever.

É preciso realmente acreditar em escrever
Eu acredito que vale a pena escrever
Como vale a pena viver
No meu caso específico
Como a arte de escrever não é apenas um ato intelectivo ou intelectual
Chame vocês como quiserem
É um ato de vida, é um ato visceral
Eu não sei como é que eu viveria sem escrever
Alias, só vale viver escrevendo
Se eu não estiver escrevendo, a minha vida vai muito mal

Pé no Chão é um disco que mostra um certo amadurecimento pessoal do artista, pois ele narra suas mudanças de hábitos necessárias por conta das novas fases que vêm acontecendo, tanto na vida pessoal quanto na carreira.

O artista sempre manda muito bem na narrativa, com jogos de palavras bem colocados entre situações cantadas que podem ser vistas ao serem ouvidas, e sempre usando muito bem as referências, seja do mundo musical, dá nona arte, filmes… Enfim, vovô OGI sabe fazer um bom Rap mantendo seu estilo.

O disco foi produzido pelo Nave, mesmo produtor do aclamado “Rá!”, e conta com as participações de Bruno Dupre, Kiko Dinucci, Laudz, Marcela Maita, Emicida, Coruja BC1 e Diomedes Chinaski.

O EP “Pé no Chão”, na minha humilde opinião já tem lugar cativo na lista de grandes discos do tal “ano lírico”, pela qualidade do artista, dá produção, das participações e porque é um disco de alguém que não precisa ficar gritando pra ser notado na cena (tem quem precise disso), ele é visto porque é bom.

Ouça abaixo o EP “Pé No Chão”:

Dois anos de “Bad Neighbor”, colaboração entre Madlib x Blu x MED

2 anos do lançamento de “Bad Neighbor”, a colaboração entre Madlib, Blu e MED.

30 de Outubro de 2015 era lançado o álbum “Bad Neighbor”, uma colaboração entre o produtor Madlib e os MCs MED – parceiro de longa data do produtor e também membro da gravadora Stones Throw, e Blu, outro grande MC com grande um clássico na rua, “Below The Heavens”, que esse ano completou 10 anos.

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Madlib, Blu e MED

O trio já havia lançado um trabalho anterior, “The Burgundy EP”, e chegou com uma proposta muito boa nesse disco: rimas sem muito compromisso ou temática específica e uma produção impecável do Beat Konducta. Gosto da forma como Madlib se reinventa a cada trabalho, fazendo o boom bap bater de formas cada vez mais inesperadas.

 

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Para as participações, um time de peso: MFDOOM chega com o bom e velho flow brilhante em “Knock Knock” que soa como uma faixa de Funky músic dos anos 70. Anderson Paak compôs um refrão maravilhoso para a faixa “The Strip”, mesmo eu sendo apaixonado confesso nos versos e a entrega do Blu no som. Em “Burgundy Whip” temos Jimetta Rose com um vocal lindo no refrão e mais uma vez o Blu arregaçando nas rimas. O clipe dessa faixa é outra coisa que vale muito a pena dar uma conferida, parecendo um filme 70′ analógico.

Aloe Blacc (aquele mesmo da “Blue Avenue”, faixa do Jazz Liberatorz e de tantos outros trabalhos bacanas) participa de “Drive In”, que soa como uma música de amor e para amar. Clima esse que também aparece em “The Buzz”, com participação de Mayer Hawthorne. Além desses nomes de peso, temos Hodgy Beats na faixa “Serving”, com um instrumental fudido. Porém, para mim, a cereja do bolo é “Streets”. Nela temos DJ Romes e Oh No, DJ, produtor e irmão de Madlib. Esse instrumental já existia há alguns anos em alguma versão da Medicine Show, e foi adaptado para o disco. Aqui é só mais um exemplo do que Otis Jackson pode fazer com uma SP404 e alguns discos de jazz

Apesar de não ter passado pelos holofotes do mainstrem, “Bad Neighbor” teve avaliação 7.2 no Pitchfork, 81/100 no site Metacritic e uma nota 4/5 nos sites HipHopDX e AllMusic, assim como foi muito bem recebido por várias outras mídias especializadas em música. O grande atrativo dele são os instrumentais impecáveis, as rimas de dois dos grandes MCs da cena underground e o peso das participações, fazendo o “Mau vizinhos” ser lembrado com muito respeito e admiração, 2 anos depois teu lançamento.

Ouça “Bad Neighbor”.

A geração que cresceu ouvindo “Diário de um Detento”

“São Paulo, dia 1º de outubro de 1992, 8h da manhã”

Se não vier um sininho sinistro na sua cabeça e você não souber completar a próxima frase volte pelo menos uns 20 anos no rap nacional.

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Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que essa é uma das letras mais genais da música brasileira. Além de ser uma denúncia de um dos episódios mais sangrentos do sistema carcerário, que mesmo após 25 anos os responsáveis seguem impune, ela expõe em alto e bom som (papel fundamental do rap) a realidade. Geralmente quando alguém me pede alguma sugestão de rap nacional da velha escola eu sempre indico Diário de um Detento.

Todo dia 2 de outubro, desde que descobri essa música, é um dia de reflexão. Depois que comecei a ler mais sobre o massacre e ouvir outras histórias, a cada ano meu acervo de informações sobre o Carandiru fica maior. Gosto de pensar que cada jornalista tem um “caso especial” com algum evento na história brasileira. O meu foi o 2 de outubro de 1992. Por escrever sobre rap e estar imersa nessa cultura de diferentes formas a clássica música dos Racionais Mc’s cumprem o papel de dar voz a todos os excluídos e presidiários estão inseridos nessa conta.

Foram 111 mortos (pelas contas “oficiais”), esse número ecoa na minha cabeça toda vez que eu leio qualquer matéria ou notícia sobre o assunto. Me incomoda tanto quanto aquele beat constante da música. Me incomoda da mesma forma de saber que um som de 8 minutos não tem refrão e é uma narrativa de um cotidiano. Desde que comecei a ouvir a música a cada ano eu entendo ou descubro o significado de uma linha diferente.

O que incomoda é saber que diante dessa barbárie as chacinas não diminuíram e a impunidade ainda se mantém. Que o pensamento das pessoas ainda continua o mesmo “bandido bom é bandido morto”. Podemos dizer que o que teve início no Pavilhão 9 ainda ecoa. Não tivemos nenhuma lei ou mudança no sistema carcerário que tenha mudado significativamente, pelo contrário, estamos nadando contra a maré de países desenvolvidos para poder diminuir a maioridade penal.

O que Brown cantou diretamente do diário de Jocenir virou um mártir. Não sei se o que me levou para o jornalismo foi a vontade de mudar o mundo ou a vontade de denunciar tudo aquilo que eu cresci vendo. Não sou mc, mas hoje uso minhas palavras para fazer essa denúncia. Cresci ouvindo o álbum Sobrevivendo no Inferno e sei da importância que ele teve para minha formação como pessoa. Obrigada Racionais Mc’s! 

O Rap em Movimento reuniu o depoimentos que falam de como se sentiram ao ouvir esse som pela primeira vez e o que sentem ainda. São Jornalistas, Mc’s… pessoas comuns:

A primeira vez que ouvi Diário de um Detento eu tinha uns 8 a 9 anos. Com 10 pra 11 eu sabia a letra de trás pra frente. Mas eu não entendia o que ela significava.Quando eu tinha 11, quase 12 anos, fui ao cinema assistir ao lançamento do filme “Carandiru” e então tive aquele momento “mind-blow” em que tudo fazia sentido.A poesia contida nessa música começou a me incomodar. E toda vez que eu ouvia a música minha mente ficava cheia de imagens do filme. “Também em 2002 aconteceu na TV uma onda de “reportagens especiais” sobre o massacre, por conta dos 10 anos do mesmo. E as imagens se somavam na minha cabeça, me deixando cada vez mais perturbado ao ouvir o som.

Confesso que por alguns anos eu preferia nem ouvir a música… Quando eu tinha uns 15 eu peguei emprestado o livro “Estação Carandiru”, do Drauzio Varella, e nele me atentei mais aos relatos do cotidiano da cadeia e histórias dos personagens do que no fato do massacre em si. Isso me trouxe outra ótica da música. Passei a prestar mais atenção no que vinha entre Aqui estou mais um dia…. e “dois a dois considerados passaram a discutir”… e menos atenção ao final… E redescobri a poesia novamente de outra forma. Voltei a gostar da música. Parou de me incomodar tanto.

Foi uma música que, junto com outras do grupo Detentos do Rap, escancarou a realidade do sistema carcerário, que ainda é precária pra caralho, mas antes era tudo por baixo dos panos. Poderia ficar horas falando sobre as reflexões que essa poesia me trouxe…Mas quem vai acreditar no meu depoimento?” João Augusto a.k.a Mamutti 011, Mc

“O banco de trás de um chevette tubarão. Qualquer data entre fim de 1999 e primeira metade de 2000. Foi assim a primeira vez que ouvi Racionais e, coincidência ou não, Diário de um Detento. O namorado da minha tia sempre escolhia com muita calma os CDs que colocava perto da gente, coisa leve, mas não sei como nesse dia acabou caindo pro rap. Foi impressionante. Aquilo ficou girando na minha cabeça por muito tempo e eu passei dias com a música entalada na garganta, ou pelo menos os recortes dela que eu lembrava. Segui escutando, um pouco mais velho e com a feliz chegada da internet banda larga em 05/06, mas a verdadeira mudança de perspectiva veio pra mim no fim de 2012, quando mudei pra Zona Norte.

Passar pela sombra do Carandiru todos os dias, olhar o espaço enorme que costumava abrigar a casa de detenção no meio da cidade diariamente é sufocante. Se o papel da arte é transmitir vivência e sensações, é impossível pensar num exemplo que fez isso tão bem quanto Diário de um Detento. O desamparo, o medo, o fatídico fim, cada rima expõe o cotidiano e a loucura que os moradores do Carandiru viveram. Dá pra escutar uma, duas, dez, cem ou mil vezes. O impacto permanece. A dor é viva. A gente não esquece. Não perdoa.” Pedro Catarino, Jornalista

Confira as outras matérias que fizemos em especial a esse álbum icônico:

20 anos de “Sobrevivendo no Inferno”

Rapaz Comum 

 

18 anos de “Murda Muzik”, o quarto albúm do duo Mobb Deep.

Há 18 anos atrás, em 17 de Agosto de 1999 o duo Mobb Deep cuspia fogo com mais um clássico nas ruas. Intitulado “Murda Muzik” era o quarto disco e estúdio do grupo, que daria vida aos hits Ïts Mine” com participação do Nas, “Let A Ho Be A Ho”, “Spread Love” “Whats Ya Poison” e um dos maiores clássicos do grupo, “Quiet Storm”.

O disco foi praticamente todo produzido pelo Havoc, com participação também de The Alchemist, Epitome Shamello Buddah, Jonathan Williams e T-Mix nas batidas. As rimas ficaram por conta também de Havoc, Prodigy (esteja em paz, negão!), participações de Nas, Cormega, Big Noyd, Kool G Rap, Lil Kim e Raekwon.

O disco atingiu #3 nas paradas da Billboard 200, #2 no Top R&B/Hip Hop Albums e #6 no Top Canadian Albums.

É, pra mim, o segundo melhor trabalho do grupo, o que mostra a era de ouro da dupla do Queens na década de 90. Sujo, violento, marca registrada de uma das maiores duplas da história do Hip-Hop.

Quem não conhece, dê um play com atenção aqui em baixo.

Quem conhece, qual o teu som favorito?

#RIPProdigy