Cíntia Savoli lança álbum intitulado “Sinestesia”

Um álbum de uma mulher para todas as outras! Cíntia Savoli lança nessa sexta, 17 de agosto, o seu álbum Sinestesia. Em seu segundo trabalho a mc fala sobre sua maternidade solo e dificuldades que enfrentou e enfrenta em sua carreira no rap nacional. Suas linhas vem totalmente agressivas, como a vida foi e ainda é para Cíntia mãe, mulher e mc.

CINTIA SAV 01 (34)
Foto: Rafael do Anjos

CLARA AVERBUCK apresenta:

“Ser mulher nunca foi uma coisa só. Nem duas. Vivemos, por anos, na dicotomia da santa e da puta, da mulher pra casar e da mulher pra fuder. Da mulher “que usa a cabeça” e da mulher que “usa a bunda”. Chega, né? Ser mulher não é uma coisa só e o álbum da Cíntia Savoli aborda várias nuances de sua experiência pessoal: maternidade, a agressividade que dizem que não podemos ter, amor, romance, delicadeza e o cansaço que todas nós sentimos de hora em vez.

Em seu segundo trabalho, ela buscou ter um conceito que permeasse as faixas e isso veio fluindo naturalmente depois que leu “Mulheres que Correm com os Lobos”, que trata justamente de histórias de mulheres selvagens, que habitam ela, habitam a mim e tantas outras. Mais do que uma simples coletânea de arquétipos, é capaz, como as músicas de Cíntia, de trilhar em nós um caminho de através de experiências, cicatrizes e identificação, independente de nossas diferentes trajetórias.

É um álbum feito por uma mulher, claro, mas, diferente do que quer o senso comum, isso não o torna um disco “para mulheres”. É música, afinal, que pode e deve ser apreciada por todo mundo que tem apreço por ideia, beats e melodias, com participações de DaGanja e Celo Dut, produção de Hugo Rodrigues, mix/master do experiente Iky Castilho e direção artística/produção executiva do coletivo MARRA. O rap em seu estado original, com a personalidade que a artista trabalha e carrega em seus 20 anos de carreira.”

Clipe 

 

 

CAPAOFICIALLINK PARA O ÁLBUM: https://spoti.fi/2Bk3jOC

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REM Indica: Favela Vive 3

Quando foi anunciado eu já fiquei bem ansioso pra escutar Favela Vive 3, também pudera, na época que a cena daqui começou a explorar (até cansar) as cyphers, essa série era das poucas que se salvavam sem nem fazer pose.

Quando eu escutei a parte 3 foi um alívio pelo fato de ver que o nível elevou mais ainda e não ficou repetitivo, mas também me fez pensar que o Rap por aqui precisa ser mais Favela Vive no que se diz respeito ao que se é passado ao público em conjunto com o momento que o país atravessa. Pode parecer papo de Guardinha do Rap, mas já faz um tempo que não se vê um alvoroço por vários lançamentos que alertam as manobras políticas, por exemplo.

Tão pedindo intervenção em pleno ano de eleição
Será que tu não entendeu como funciona isso até hoje:
O exército subindo pra matar dentro da favela
Mas a cocaína vem da fazenda dos Senadores

Em 2017 houve um movimento de querer saber qual seria o disco do ano, mas apontar o tal disco foi mais pela análise do jogo de palavras em junção com a produção do que analisar o que estava sendo dito.

Foto
Isso é mais importante do que lançar o disco do ano. | Imagem: @geniusbrasil

Favela Vive 3 joga na cara do cenário atual que não precisa passar o tempo inteiro jogando indireta dentro do próprio Hip-Hop, em ano de eleições, paralisações e assassinatos de figuras relevantes o que mais tenho visto no discurso do público é passação de pano pra YouTuber e político, tem isso até nos comentários do vídeo dessa nova cypher, sim, acredite, tem. Acredito que essa confusão do público dentro do Hip-Hop se dá pela falta de um discurso mais condizente com o que acontece aos arredores do próprio.

Que isso, foi o tiro do blindado que acertou Marcos Vinicius
Caído ali sem árbrito de vídeo, e vocês quer sustentar o Hype
Comparar o melhor flow, viram três favela vive, não viu o quanto ela chorou

A cena se fechar para assuntos internos até certo ponto pode fazer as coisas evoluírem, mas chega uma hora que a mesma precisa se abrir e fazer os seus alertas, como o DK fez ao falar do congresso, Djonga ao falar do sistema carcerário e a Negra Li ao dizer que já se foram duas décadas e nada mudou.

Nos tempos mais recentes do Rap Nacional, tem sido mais comum ver músicas ao invés de discos marcando um novo momento para como vai caminhar o mesmo nos próximos meses, pelo sucesso da até então trilogia de Favela Vive, e pelos assuntos que vão ficar mais acalorados daqui pra frente, haja uma leva de músicas com discurso mais conciso em cima de questões mais amplas, mas seria mais relevante que isso fosse algo natural dentro da cena, falar de certos temas em cima da hora não ajuda a mudar os rumos nem dentro, e nem fora do Hip-Hop.

Só quem tava lá, naquele tempo
Sabe o jeito que foi feito, sofrimento que passamos
Vários manos, milianos, sem os panos
Mas atitude de respeito, daquele jeito

Escute sem moderação Favela Vive 3, e não deixe de escutar os dois antecessores.

O clipe Síndrome do Pânico, de Dexter, faz referência ao atual cenário político

O clipe é dirigido por João Wainer e Bruno Miranda

Dexter - Sindrome do panico

 

O clipe faz jus às linhas fortes e expressivas da música (composta por Eli Efi e Dexter ), que narra fielmente a atual conjuntura política e social do país.

Filmado em um circo na cidade de São Paulo , Dexter representa o que chama na música de ” o cobrador”, personagem que anseia por justiça e reafirma sua essência revolucionária .

A proposta do clipe foi retratar a submissão da sociedade; metaforicamente interpretada por palhaços, ao sistema até que através da ação do cobrador despertam-se do transe e rebelam-se contra as injustiças sofridas.

“Síndrome do Pânico ” chega para afirmar que ainda se cobra o que aqui de mal intencionado se faz. O clipe apresenta uma direção artística que vai além dos estereótipos do hip-hop.

O clipe foi produzido por  por Damasco Filmes e Oitavo Anjo Produções.

Confira

Souto MC lança clipe de Mambo e se prepara para gravação do seu primeiro EP

A rapper paulista Caroline Souto, a Souto MC, lança hoje (23) às 18h o clipe do single Mambo, dentro de um projeto com três músicas, duas já conhecidas pelo público e uma inédita, que mistura ritmos musicais e a cultura latina americana à batida do Hip Hop nacional. Produzido integralmente por mulheres, a história contada no clipe sequencial continuará em Selena, já em processo de produção.

Em seguida será a vez da inédita, que está sendo preparada em parceria com a Karol de Souza. O lançamento dos três clipes marca o fim de um ciclo e o início de um novo momento na carreira da MC.

Aos 23 anos, a rapper de flow inconfundível venceu no último mês o Prêmio Sabotage de Melhor MC, ganhando ainda mais destaque no cenário do Hip Hop Nacional, sendo reconhecida por nomes importantes, como Emicida.

Retorno como um tornado, trabalho dobrado
Pra não arrepender do que eu tenha me tornado
Nada me é tomado, muito menos dado
Venenos em dardos, brinco como dados

Souto conta que sempre quis dar uma cara de série a essas músicas, de forma que fizesse jus aos temas e referências que cada uma traz. “O clipe tem grande significado pra mim, em tudo, desde o início do roteiro, até os detalhes mais imperceptíveis”, entrega sobre a nova produção.

“Quando a Souto chegou com a gente pra fazer o videoclipe, trocamos uma ideia e decidimos que precisávamos contar uma história; e aí pensamos fazer Mambo e Selena como continuidade um do outro”, explica Érica Pascoal, que assina a direção e direção de fotografia do vídeo com o selo Ganga Prod, uma produtora audiovisual formada só por mulheres.

Mambo é a história de uma artista que está tentando mostrar sua arte para o mundo e o mundo está recusando. De repente essa arte começa a ser aceita. Junto com a aceitação, um convite de volta pra casa: trago você de volta. O final dessa história a gente só vai conhecer em Selena, que deve ser lançado no próximo mês.

“As meninas da Ganga conseguiram captar exatamente a ideia da música e o que há por trás dela”, elogia a MC.

Após a sequência de videoclipes, Souto deixa de lançar músicas separadamente e se prepara para um passo importante na sua carreira: o lançamento do seu primeiro EP, que deve sair ainda em 2018.

 

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DE MINA PRA MINA

A produção do videoclipe de Mambo, e dos que estão por vir, é 100% feita por mulheres, que formam a Ganga Prod., que produz conteúdo para o Hip Hop feminino brasileiro.

Érica Pascoal, idealizadora do projeto, conta que a ideia surgiu quando elas perceberam que o rap nacional estava em pleno crescimento e a qualidade das produções estava em alto nível, porém isso só se via principalmente com o rap masculino. “Nesse momento, percebemos que havia pouco ou quase nada de investimento quando se trata de mulheres desse segmento musical”.

Em janeiro de 2018, Pascoal produziu os primeiros videoclipes com o grupo Rap Plus Size. Para a gravação, chamou outras mulheres do audiovisual, que hoje compõem a equipe fixa do selo.

A meta, ela conta, é difundir o Hip Hop nacional feito por mulheres através de conteúdo audiovisual de alta qualidade. “O que é retratado na letra pelas MCs tem um potencial muito grande se pensarmos no cenário político e econômico que vivemos atualmente.”, pontua.

Link do lançamento:

www.youtube.com/gangaprod

É necessário enriquecer (ou mudar) o discurso

Pensa aí em quantos MC’s e grupos de Rap você gostava, ouviu o primeiro disco e achou foda, aí o segundo, terceiro, foi mais do mesmo e você simplesmente parou de ouvir. Tem vários né?

Eu tenho escutado bastante o segundo disco do Djonga, e me chamou a atenção em como a poesia dele ficou mais rica depois de Heresia, e como ele conseguiu mostrar para o público as mudanças na sua vivência (vida pessoal, carreira, jeito de ver o mundo), sem perder a essência na sua forma de fazer música.

Acredito que nem todos que começam uma carreira dentro do Hip-Hop tem essa percepção, muitos tratam o sucesso de um primeiro trabalho como uma fórmula mágica para manter o mesmo, isso a longo prazo enfraquece carreiras e não mantém fiel o público, consequentemente, esses artistas não fortalecem a cultura da melhor forma.

A gente até presenciou por um tempo uma fórmula mágica, mas já tava ficando bem chato tudo aquilo, e ainda bem que Sulicídio veio e questionou tudo o que estava acontecendo.

Claro que o público tem a sua parcela de culpa, não falta fã que reclama quando algum MC coloca uma roupagem diferente no som, arrisca mais em outras formas de trabalho, eu vejo isso quase que como um desrespeito ao artista, pois seus trabalhos obviamente são para agradar o público, mas é algo pessoal também, cobrar os artistas por pararem de falar algo e começarem a dizer outra coisa atrapalha bastante, e também enfraquece a cultura a longo prazo. Claro que quando alguém começa a fazer um som zoado, a gente tem que cutucar, mas temos que aprender a direcionar melhor essas críticas.

Na entrevista do Rashid para o canal da Laboratório Fantasma, é dito que para o disco Crise, ele lançou todos os singles antes de lançar o disco de fato, dessa forma ele conseguiu mais sucesso do que em A Coragem da Luz, foi algo planejado para fidelizar mais o seu público e deu certo, o disco é bom, mas o anterior artisticamente (na minha opinião), é melhor. Via de mão dupla complicada de se trabalhar, pois os fâs tem dado menos atenção para um trabalho completo e bem montado para ficar mais focado em apenas alguns sons dos discos, e assim os MC`s precisam mudar sua forma de montar e lançar seus trabalhos. Pra sucesso é bom, mas artisticamente existe uma certa perda.

A impressão que fica é que os MC`s precisam antes de tentar trilhar algum caminho diferente depois de lançar seus primeiros trabalhos, se firmar e ficar um bom tempo fazendo sucesso. Um bom exemplo disso é o Emicida, o seu discurso nos sons mais atuais tem uma diferença perceptível dos mais antigos, e eu me lembro bem que ao lançar a mixtape Emicidio, choveram críticas a mudança na lírica e até mesmo na sua forma de trabalho. No trecho do vídeo abaixo a gente consegue entender melhor o motivo que o fez engrandecer sua poesia, se o cliente tivesse sempre razão, Emicida seria mais do mesmo e não seria símbolo de inovação no Hip-Hop, e hoje ele pode fazer o que quiser de diferente e não vai perder público.

Os novos artistas precisam lutar mais pelos discursos (que podem mudar com o tempo), que eles tem em mente, as vezes, lançar na rua um trampo onde foi feito um bom esforço para que seja algo artístico é melhor a longo prazo do que querer sempre fazer hype. Babylon By Gus Vol. 1 não fez sucesso no seu ano de lançamento e hoje é um clássico quase que obrigatório na escuta de quem gosta de Rap.

Karol Conká e a importância de saudar Sabotage

Quando eu tinha uns 10-11 anos eu era viciado na MTV e nessa época o Sabotage aparecia por lá direto, o maestro do Canão me fez olhar para o Rap com outros olhos e hoje a gente pode ver parte da sua contribuição para esse estilo musical no Brasil, arrisco dizer que, talvez ainda não tenhamos a real dimensão da sua herança musical.

Desfecho conforme
Vive o vento se mostra
Respeito pro povo

Ás vezes eu escuto “Rap É Compromisso” e o seu disco póstumo (leia nossa resenha sobre), e a cada escuta, e a cada dia que passa, eu fico com a impressão de que o Mauro Mateus é o tipo de artista que o Brasil mais precisa, tanto dentro quanto fora do Rap. A gente vê dentro do Hip-Hop, uma penca de MC que não assume o compromisso real dentro do movimento, está difícil ver rapper que acredita que “Respeito é Lei”, tá feio.

E também não tenho visto muitos artistas com discurso mais direto nas questões que podem fazer nosso país voltar a ser aquele que a gente não gostava de ver, até tem uns que fazem seu marketing em cima de algumas questões, mas se ficar só na imagem vai atrapalhar demais e não ajudar em nada a longo prazo.

Maracutaia em toda parte, vejo no governo
Tem ACM, Lalau, pra deixar tormento
Tem muito tempo, o pobre pagando veneno

Dia 5 de abril a Karol Conká lançou um remix da música “Cabeça de Nego” e eu fiquei bem feliz de ver uma artista do Rap, que tem grande visibilidade no mainstream lançar algo que saúda o Sabotage. Já que infelizmente não podemos ter esse artista sensacional entre a gente, é bom ver que ainda tem quem queira repassar sua mensagem por aqui. Se o som ficou bom ou não, vai de cada um, eu gostei, mas eu prefiro acreditar que mais gente vai conhecer a obra desse gênio, e mesmo sendo de pouco em pouco, a mensagem do Sabota vai entrando na cabeça de mais pessoas, isso é algo necessário nos tempos de hoje.

Periferia sofre em vida, mas tira um lazer

Nesse ano de 2018 fizeram 15 anos que perdemos este artista, e com certeza foi um golpe muito forte na nossa cultura. Eu vejo muito na internet uns MC`s forçando treta com outros para inflamar o público, tem quem baseie seus trabalhos em dizer que é copiado e tem quem diga que é bem legal ficar drogado e falar que chove buceta no seu dia a dia. Muitos desses artistas tem o público bem jovem, menores de idade, é bem complicado ver que tem artista fazendo sucesso sem ter o compromisso de mudar a cabeça dos jovens com o que realmente importa. E ver a Karol Conká lançando um remix de um rapper que sempre deixou bem claro que viver na imagem de bandido transão (assista o vídeo abaixo) não leva o Rap pra lugar nenhum, é de uma importância tremenda.

Ainda mais agora que nosso país volta a ter intervenção militar como pauta, e uma vereadora como Marielle Franco é assassinada só por dar a cara para melhorar a situação do Brasil, vivemos em tempos difíceis que exigem as letras do Sabotage na boca da nova escola do Rap, e de quem a sua mensagem puder alcançar.

Que reivindiquei estou aqui porque
Um novo tempo vai poder dizer que, é
Sobre um passado de um tempo presente

Quem produziu a versão original (Instituto), também assina o remix, mas agora com participação do Boss In Drama, e o clipe tá bom demais, foi gravado na favela do Boqueirão e você pode ver o DJ Hadji falando um pouco sobre o Maurinho, tem também a participação do Sabota Jr. e Tamires, filhos de Sabotage, e até do seu amigo Bola.

Hey Boy, para de pedir Racionais no show do Brown

O Rap Em Movimento encostou no festival Lollapalooza sábadão (24), e óbvio que foi acompanhar o show do soulman Mano Brown. Dos melhores que já vi na vida, mas é uma pena ver que muita gente não se preocupou em enxergar a beleza do momento, por achar que o Brown se baseia apenas em Racionais e vice-versa.

Foi uma satisfação imensa colar em um show de estilo musical que até então eu nunca tinha presenciado ao vivo, e o Mano Brown faz questão que sua apresentação tenha toda essa temática da música funk e soul. Ficou claro desde o início que aquilo não era um show de rap do Racionais MC’s, (se fosse, maravilha também, mas não era), e fica chato pra caralho ficar ouvindo gritos das pessoas pedindo Vida Loka sem que o artista termine de cantar a segunda música.

É chato ver que ainda tem gente que quer basear a carreira de um dos maiores artistas do Brasil, com tanta relevância até mesmo fora do âmbito musical, apenas a um momento da sua carreira, e achar que ele só tem algo a dizer se lançar no palco os sons que não são da sua carreira solo. Vi gente saindo do show quando perceberam que ele não ia cantar Racionais, feio. E o engraçado é que ele cantou “Eu te Proponho”, que é do disco Cores e Valores, do grupo Racionais, mas parece que sequer perceberam esse detalhe, da mesma forma que não repararam que ele falou para respeitar a mulher brasileira nesse momento de transição.

O show foi foda, momento único, vou guardar pra sempre na memória. Mas fico na torcida para que o público saiba dar mais valor as mensagens que os artistas têm para passar, independente do momento que eles passam em sua carreira, o Mano Brown por exemplo, não ficou menos perigoso por estar cantando funk e soul, será que é tão difícil assim ir no seu show e não ouvir Vida Loka?