Os melhores love songs do rap nacional

Dia nos namorados chegando e os colunistas do Rap em Movimento vão entrar no clima e dar umas dicas de love songs, afinal Vida Loka também ama! Se você não tem ninguém não tem problema, curtir um sonzinho romântico nunca matou ninguém e você pode também usar para outras oportunidades.

Segura minha lista de músicas nacionais para embalar os corações:

1 – Deixa eu te levar – Drik Barbosa (part. Lira)

Esse dueto lindíssimo é para aquecer mesmo o core! Essa é para quem está na fase daquela conquista. Aquela fase que você fala para o embuste  crush que vê não vai zuar o coração dele e você vai ser uma pessoa legal.

“Me ensina a te amar da forma certa e deixa…(Deixa eu te levar)”

2 – Te levar – Terceira Safra

Essa é aquela música bem good vibes de amor. Para planejar aquela trip delícia.

“Eu vou fazer uma grana e te levar daqui…”

Você pode emendar esse trecho na próxima música…

3 – Sair pra gastar -Sorry Drummer, Rincon Sapiencia e Filiph Neo

Depois que o trampo virou um troco vocês podem sair para gastar (haam entendeu as referências?)

Esse som clássico do Sorry Drummer já embalou muitos casais.

“Dinheiro na mão não compra o amor, solidão dói, eu sei
Me dê sua mão no fim dessa dor seremos rainha e rei
Vamos sair pra gastar, sair pra gastar, sair pra gastar”

4 – No seu Radinho – Tassia Reis

Essa música é maravilhosa sem mais. Um R&B delicia de ouvir. Aperte o play e me diz você:

“Me deixa ser seu tchururu no seu beat”

5 – #TamoTransandoDeFato – Lívia Cruz e Djonga

Essa é para aquela pegada mais forte né! A música fala por si só

“Ele me joga no banco de trás, ele me faz Djavanear Racionais”

6 – Remember the Time – Rimas e Melodias

Uma releitura da música Remember the Time do Michael Jackons essa música é para dançar juntinho.

7 – Baiana – Emicida

Essa não poderia faltar nessa lista. Essa é para quando você tá sentindo o friozinho na barriga de início de tudo.

“Baiana cê me bagunço. Pirei em tua cor nagô, tua guia”


8 – Loius Lane – Mano Brown (Seu Jorge, William Magalhães)

Essa é para chegar dançando na pessoa amada (trago de volta). Brown chegou forte no funk com essa música hein.

“Por você eu paro trem. Pra mostrar disposição e não vejo mais ninguém”


9 – Envolvidão – Rael 

Eu não preciso falar nada sobre essa música né. Então da o play ai que essa música já tocou até em casamento.

“Malandro, era inevitável eu não me envolver
Ela é inacreditável, você tinha que ver”

10 – Comofaz – Flora Matos 

Para sair do clichê eu trouxe essa aqui da Florinha. Essa versão acústica é bem calminha e é aquela que você escuta juntinho com o “croshe”

 


Bônus

PIZZA – Sempre

Vim aqui para exaltar o meu atual e único love song possível

#pas

“ P I Z Z A faz meu mundo parar e as brisas se elevar”

 

E ai curtiu? Tem alguma sugestão de som? Manda pra gente!

O Rap e o mundo precisa do Sabotage

É muito suspeito pra qualquer um que goste de Rap (du bom, tipo aqueles do Rappin Hood), falar do Sabotage e seu disco póstumo. Pois ele – infelizmente – faleceu ainda em um nível muito elevado de lírica, e das mais avançadas que já se viu, então era óbvio que esse disco seria foda.

A ideologia não morre.

Essa obra só mostra que o Sabotage foi o que aconteceu de melhor no Rap nacional, pois fez todo mundo lembrar que o que tem rolado de “inovador” na cena em tempos recentes, o maestro do Canão já fazia de forma muito mais avançada. Tanto o flow quanto a lírica, a visão de mundo… Tudo que a gente vê, hoje na cena (de bom), foi evoluído pelo Sabota. Por essas e outras que o cenário precisava dele hoje, pois só ele poderia dizer que os outros MC’s copiam seu flow, sendo assim, ele saberia como direcionar essa geração do Rap que só quer mostrar o tênis novo no Snapchat.

Os que apavora, apavorados serão na quebrada.

Ser malandro não é marcação jão, se joga!

Se na questão musical ele foi atemporal, no quesito social não seria diferente, o disco tem uma mensagem geral muito importante, com frases que são comuns dentro da poesia do Rap, mas a forma como o Sabotage construiu essas letras tem um impacto diferente e um entendimento mais específico.

Quem não pode errar sou eu, que se foda o Zé Povinho.

Vi e ouvi algumas pessoas dizendo que se esse disco, com letras de 13 anos atrás é atual, é porque nada no Brasil mudou, eu acredito que pensar dessa forma é desmerecer a obra, pois artistas geniais conseguem fazer composições atemporais que podem durar mais de 100 anos, e Sabotage é um desses artistas, suas músicas vão (e devem) continuar atuais, pois sua mensagem não pode ser esquecida jamais.

Obs: Mais um motivo pra entender o quão grande foi esse rapper:

Para ouvir o disco póstumo do Sabotage, é só clicar aqui ou aqui.

Carreira, emoções e rap: o A.L.M.A tá na casa!

Entre as batalhas da Santa Cruz e da Sexta Free, em São Paulo, nasce o coletivo A.L.M.A fundado em 2012 pelos MCs Felix e Jotace Rhazec. No início, o intuito era reunir pessoas que faziam rap com um discurso diferenciado que estudavam filosofias e que alinhavam entre si, além da vivência da rua. “Era mais uma parada pra trocar informação, pra falar sobre livro, pra falar sobre vida, sobre tudo e fazer rap”, explica Rômulo Boca, um dos integrantes do grupo Arma Lírica Musical da Alma, o A.L.M.A.

O coletivo reuniu diversas pessoas durante um período, mas com o passar do tempo, assim como diamantes brutos, o grupo foi se lapidando até chegar aos três pilares principais: Felix, Wendel e Rômulo Boca.

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Em 2015 o grupo deu um grande passo na carreira e lançou o seu primeiro álbum “Da Alma ao Caos, Lama na Casa”. O CD foi gravado em exatamente um mês, mas foi construído ao decorrer do ano de 2013.

É possível sentir a emoção a flor da pele no trabalho ao todo, fãs um dos outros de forma declarada, o A.L.M.A despertou sentimentos diferentes tanto no público, quanto em si. “Cara, a gente precisa mais do CD do que o rap, sacou? A gente tinha muita coisa engasgada, muito descontentamento e muita coisa nossa mesmo, pessoal. Muita coisa que a gente lia, muita coisa que a gente vivia.  O ano de 2013 foi um ano difícil pra caralho pros três e acho que não teve medo, sacou?”, conta o Rômulo.  

Durante o processo de compor, receber os beats, unir às letras e gravar, Da Alma Caos, foi um CD sem medo, sem calma e segundo o Wendel, foi um processo desesperado e apesar de serem fiéis ao trabalho, faltou um pouco de calma “Saiu caótico. Era pra ser uma mixtape. Mas você sabe, nós somos jovens, queremos o mundo. E queremos agora. E, porra, eu amo esse disco. É a história da minha vida.”.

Entre coisas intensas e malucas na vida de cada um, a gravação não poderia ser diferente. A proposta do A.L.M.A era trazer isso à produção e eles conseguiram, além da alta expectativa de trazer algo de destaque para o rap e isso é perceptível. Você pode conferir agora, clique na capa do disco e ouça as 10 faixas.

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Capa do CD “Da Alma aos Caos, Lama na Casa”. O técnico de gravação foi do Iuri Stocco, a mixagem e masterização ficou por conta do Luiz Café, arte do disco é de Cassius Rocha e o design é de Kaique Zurk.

São Paulo, noite fria e Batalha da Roosevelt, o Rap em Movimento entrevistou os integrantes do A.L.M.A , confira o papo abaixo:

Rap em Movimento – Como foi o retorno do público em relação ao CD? 

Rômulo Boca – Ah cara, foi boa e foi ruim, né? A gente não foi muito bem aceito por certas pessoas, teve até gente falando que não tínhamos vivência nenhuma. “A vocês não têm vivência, vocês só falam de livro e de poesia e de fazer sexo com a mãe” , (risos) sei lá. A gente tem vivência pra caralho, cara. A gente tá sempre na rua, sacou?

E por outro lado foi super bem recebido por uma molecada que gosta de rap diferente, que faz rap diferente e que ouve rap diferente.  Pelo menos dos grupos que a gente admira a crítica foi sempre positiva, tá ligado? Dos preto, dos branco, dos rico, dos pobre, dos que têm muito nome, dos que nem tem tanto nome. Isso aí, a galera recebeu bem. Mas acho que não dá pra agradar todo mundo, né? Então…

Wendel A recepção foi muito boa. O trampo é bom. Alguns superestimaram muito, porque fomos megalomaníacos. Ai inspiramos isso. Outros sentiram vergonha de nos ouvir… porque fomos muito escrachados. Mas no geral, eu acho mesmo que o público nos colocou numa estante. Não curto isso, porque não gosto de ser esquecido dessa forma.

Rap em Movimento – Olhando para trás e analisando o início do grupo e comparando com agora, o que mais mudou ? O que mais cresceu em vocês?

Rômulo Boca – Cara, hoje em dia a gente é mais alinhado e mais profissional também… Somos mais centrados, mais entrosados…  Porque os três que estão no grupo atualmente, estão com  uma vontade de levar a parada pra frente, sacou? Fazer um som diferente, ganhar grana com o rap, fazer show, conhecer outros artistas, dar uma nova cara pra parada… Trazer uma perspectiva nova.

Coisa que não existia na época do coletivo. Na época do coletivo (apesar de ter o nome coletivo) era uma fita muito individual. Cada cara desejava uma coisa, queria levar a parada pra um canto e eu acho que hoje em dia os três, apesar de bem diferentes, nós enxergamos a mesma rota, sacou? Na época do coletivo rolava muito atrito entre os integrantes. O Felix, eu e o Wendel a gente quase nunca briga… A gente até briga, mas é muito raro. Eu acho que a parada é mais harmoniosa. Bem mais harmonioso do que era antes.

Rap em Movimento – E de forma pessoal, o que mais cresceu em vocês?

FelixE agora? Acho que nada (risos). Brincadeira. Pô, acho que principalmente o crescimento profissional.

Rômulo – Ah, é…Dinheiro, a ser responsável com o horário, show. Acho que essa parte do profissional ,a gente amadureceu muito.

Felix – Pra caramba, principalmente na parte da visão.  Acho que antes do A.L.M.A a gente tinha uma certa visão do que era o cenário, do que queríamos , das ambições de cada um… Mas de certa forma era meio limitado e quando juntamos ali o time do A.L.M.A começaram a rolar as divisões e cada um alimentando um pouco da visão do outro, um aprendendo um pouco com outro… De certa forma eu comecei a expandir um pouco mais o meu universo e a minha noção de mundo.

Tipo, saber até onde eu posso chegar. Acho que tudo isso eu devo pro A.L.M.A, porque antes disso eu trabalhava só e eu não tinha muitas ambições, pelo menos. Era uma pessoa bem difícil de lidar e trabalhar em grupo, trabalhar com o time, principalmente com os moleques do A.L.MA. Me ajudaram a amenizar esse meu lado mais agressivo. 

Wendel – Simplicidade foi o que mais cresceu em mim. Hoje eu quero ser mais simples, e muito mais preciso no que faço. Se eu conseguir ser simples e ter paciência posso criar coisas melhores. Eu vi isso.

Rômulo – Através do A.L.M.A eu conheci muita gente, sacou? Eu noto que as pessoas se sentem mais a vontade pra falar com a gente sobre certas coisas, porque nós damos mais margem pras pessoas falarem de certos assuntos que são desagradáveis de serem falados no rap até hoje, isso me amadureceu muito, sacou? Essa vivência, me tornou um cara mais calmo, um cara que aceita melhor as diferenças, as diversidade das pessoas.

E eu, o Felix e o Wendel a gente sempre tá se ensinando, eu tô sempre aprendendo coisas com eles, sempre ensinando pra eles coisas novas.
Eu acho que como pessoa, o A.L.M.A me ensinou a ser um cara mais transparente, um cara mais flexível muito mais flexível.

Me deu esse up, me deu mais feeling pra saber lidar com certos tipos de situações que antes eu não sabia lidar, isso tudo foi através do A.L.M.A, tá ligado? Aprendi a ter mais coração, mais paciência com as pessoas, acho que foi isso.

Rap em Movimento – Vocês sentem que falta algo no grupo?

FelixSó dinheiro, mano (risos).Não sei… É um grupo, né? Três seres humanos, sempre falta alguma coisa, sempre falta complementar alguma coisa ali e aqui, tanto no espírito quanto na parte artística de cada um. Mas neste exato momento, eu sinto que o time tá bem encaixado, sabe? Que se faltar é por aprendizado mesmo. É dar tempo ao tempo, sabe? Acho que a própria estrada da vida vai complementar isso que falta.

Wendel – Não sei. Talvez sim.

Rômulo – Acho que falta mais de fora do que de dentro, acho que falta mais as pessoas entenderem melhor o A.L.M.A do que nós nos entendermos mais. A gente se dá muito bem, hoje eu consigo entender muito bem os meninos, saca? De um jeito até eu achei que não iria conseguir entender e consigo enxergar as razões deles em tudo que vão fazer e eu noto que isso é recíproco.

A galera nos julga errado muitas vezes, muita falação em volta da gente, muita coisa que a gente nem quer que seja falado, que nem é o nosso intuito. Muita interpretação errônea.

Acho que falta mesmo é dinheiro (risos). E falta, lógico, algumas realizações pessoais que todos os três querem ter com o A.L.M.A. Mas isso são coisas que estamos construindo com o decorrer do tempo e que vão ocorrer no momento certo, acho que só.

Rap em Movimento – Quais são os planos de vocês daqui para frente?

RômuloCara, matar o Bolsonaro, dominar o mundo, ir pra cama com a Rihanna.

FelixCom a Beyoncé e com a Minaj.

RômuloCom a Beyoncé não, porque ela é a mulher do chefe, né? Não dá (risos), tem que respeitar a hierarquia. Mas é basicamente isso aí. Não, brincadeira (risos). Cara, acho que os nossos planos são iguais com os de outros grupos de rap… Expandir, fazer coisas novas, fazer coisas legais às pessoas, sacou?

Wendel – Temos metade de um disco pronto, mas a galera só pode esperar os feats e um provável clipe que esta pra sair, não é certeza. Por enquanto só isso.

Rap em Movimento – Em 2016 o A.L.M.A trabalhou mais com singles e diminuiu um pouco em relação ao ritmo de trabalho de 2015. Queria que vocês falassem um pouco destes singles e por que não lançaram tantas coisas esse ano?

Rômulo – Em 2016, o A.L.M.A realmente trabalhou com menos lançamentos, menos shows e etc., porque aconteceram muitas coisas pessoais na vida de nós três que impediram a gente de trabalhar mais rápido ou com a mesma máquina de trabalho do ano passado. O Wendel se mudou para São Sebastião, fora de São Paulo, eu tive alguns problema de saúde envolvendo a minha família e o Felix começou a se envolver com outros trabalhos, além da música, ele começou a criar roteiros e dirigir videoclipes e tal.

Mas este ano também foram feitas algumas coisas, no começo do ano lancei um single com o Pizzol que se chama “Assunto Terra”, foi lançado no comecinho do ano.

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Depois a gente lançou um single chamado F.O.B e com produção do Wendel. O single gerou uma polêmica, porque houve ataques a uns partidos políticos e citou uma página de grande veiculação no Brasil em relação ao rap, mas enfim.

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Depois a gente soltou um som com o UZI, chamado “Provocações” que tem produção do Neto, o Síntese, os meninos do UZI tinham chamado a gente pra fazer esse som e a gente soltou.

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O Felix soltou uma música chamada “Xícara Quebrada”, uma música do Aruan Aleixo que é um cara do nosso coletivo, a INC, junto com o Surgem Alquimista que também faz parte.

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O Wendel soltou Benjamin que é do single do EP dele, trabalho que vem desenvolvendo nos últimos tempos. Já faz um tempo que ele queria soltar uma parada nova solo e soltou o single.

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Na última sexta-feira, dia 14, lançamos um single com participação do Helibrown e produção do Wendel que se chama “A Fantástica Teoria do Nada”. Gravado em OQ Produções, Artefato Produções e Rua XIII Estúdio, com mixagem e masterização do Wendel.

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Arte de Remo o Órfão, Autor Desconhecido e Mr Hyde. Para ouvir, clique na imagem.

Foram estas produções que o A.L.M.A focou  em 2016 e a gente não fez muitos shows, fizemos uma média de 3 a 4 shows no ano, exatamente, por essa ausência do Wendel em São Paulo e também por outras coisas que foram acontecendo no decorrer desse período, fizeram que a gente não conseguisse trabalhar da mesma forma que trabalhamos ano passado (tanto com os lançamentos, quanto com os shows). Mas esses singles conseguiram deixar a gente vivo, conseguiram manter uma relevância da gente na cena.

Em 2017 a gente quer mudar isso, quer voltar a trabalhar mais rápido, a lançar mais coisas, fazer mais shows e etc.

Rap em Movimento –  O que as pessoas podem esperar agora?

RômuloEntão, é exatamente isso que a gente não quer… Que as pessoas esperem algo da gente, a gente quer que as pessoas se surpreendam, tá ligado? A gente não quer esse lance de “Espero que A.L.M.A faça isso”, mano a gente quer que vocês deixem a gente fazer nossa arte e se surpreendam.

Queremos expandir, ganhar dinheiro, ganhar público, se relacionar com outros caras que trabalham com o rap. Além da gente fazer rap, a gente é muito fã e ouve rap. É o lance mesmo da expansão, a gente tá no meio do processo de um CD novo,esperamos que saia uma coisa  visionária, mas não é esse visionário clichê, sacou?

Que é o visionário do cara genérico que faz uma coisa e acha que é visionário e fazendo uma coisa que todo mundo já fez. A gente quer fazer uma parada legal mesmo, que as pessoas escutem e falem “pô, nunca ouvido isso”, “nunca tinha pensado que isso se encaixaria no rap”, sacou?

Felix – O visionário do A.L.M.A é mais no sentido de vanguarda, né? A gente é mais vanguardista do que o visionário que todo mundo usa hoje em dia. A palavra acabou virando clichê e acho que, só pra complementar o que o Rômulo falou, o que a gente espera do A.L.M.A e o que as outras pessoas podem esperar é algo bem mais autônomo daqui pra frente. A gente tá trabalhando bem nos alicerces de cada área pra girar legal na cena, pra ser bem mais autônomo daqui pra frente.

Rômulo – Mas a gente nunca sabe como será a recepção das pessoas, tem muitas coisas que a gente faz e que o rap não tá preparado ainda, sabe? O futuro ao diabo pertence, tá ligado? Então vai saber…

Rap em Movimento – O que vocês estão escutando no momento?

FelixPô um monte de coisa..

RômuloBom, eu vim pra cá ouvindo Fagner

Felix–  Fagner? Eu preciso começar a ouvir Fagner.

Wendel – Eu tenho escutado bastante o Raffa Moreira.

RômuloCara a gente sempre tá ouvindo um monte de coisa, mas uma coisa que tem que falar pra todas as pessoas e que a gente tá ouvindo muito: rap Coreano. Escutem rap coreano, dá o papo Felix…

FelixSik-K, Flowsick, Punchnello

RômuloEnfim, de verdade estamos ouvindo muito rap coreano, cara. Mas, assim, nós sempre estamos ouvindo muito coisas. Eu voltei a ouvir muito MPB, sacou? Sei lá, tem época que tô meio ressentidão com o rap e até em ouvir rap eu me sinto um pouco mal… Aí eu saio um pouco e MPB lembra muito meu pai, então eu gosto de ouvir. E porque é bonito pra caralho. Ah, Rock a gente tá ouvindo também.

Felix – Nirvana, nós sempre escutamos também, The Doors..

Rômulo – É muita coisa, cara. Ah, e tô ouvindo muito o Maka, né? O Maka lançou a mixtape e tô ouvindo muito. Não sei se isso vai sair na entrevista… Maka eu não sei se você vai ler isso, mas eu queria dizer que a sua mixtape tá sensacional  e que eu amo muito você, muito mesmo, mano. Tá sensacional essa última mixtape dele, cara.

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Já entenderam, né? Escutem a mixtape do Makalister, Laura Miller mixtape. É uma homenagem. Clipe na imagem para ouvir.

Felix- Ele vai ver esta entrevista? Aí Maka, solta nosso som, viado (risos).

Rap em Movimento- E o que vocês recomendam de som?

Rômulo e FelixTodos da INC, velhoVictor Xamã, Eloy Polemico, Aruan, Surgem, Bárbara Bivolt, Makalister, Qua$imorto inteiro, Morlockz, o Sérgio, o Estranho, o Dro, o Thales, o Plínio. Cara, um integrante da INC – A Inominável Nuvem Coletiva – agrada pelo menos o seu rapper favorito no Brasil, a verdade é essa. Então se você ouve DonCesão, Don L, Racionais, Costa Gold, Emicida… Pelo menos um desses caras ouve um cara da INC e se inspira nele.

RômuloAgora, fora da INC tem vários caras também… Tem o Froid que é um cara fantástico, tem os meninos do PrimeiraMente que são incríveis, tem o Rico Dalasam, tem o Raffa Moreira que é um cara foda, tem o ZRM…Tem o Augusto Oliveira, o Kafé… o Kafé é o nosso TheWeeknd… Tem centenas de pessoas pra se ouvir no rap, a gente pode fazer milhares de indicações. Espero que todos os nomes ela ponha na entrevista, porque são todos extremamente talentosos.

Nota extra: Acredito que citei todos que disseram, meninos.

Rap em Movimento – Pra terminar, uma mensagem livre pra quem for ler a entrevista. Para abrir o coração (risos).

Rômulo – Puta, cara… Não sejam reaças! Leiam bastante, amem bastante, aceitem a animalidade de vocês… Entendam que a humanidade é isso aí memo que a gente tá vivendo. Não aceitem a atual situação do país. Não sei o que eu posso falar, é muito coisa pra falar…

Felix – Aproveita , a mensagem é livre e ai você pode descarregar a vida…

RômuloÉ muita coisa pra falar… sejam livres nas artes de vocês… Tenham respeito pelos pretos, pelas mulheres e sejam viscerais na porra da arte de vocês que é tudo que nos resta, tá ligado? Tipo, escrevam sem medo, escrevam de coração, sejam sujos, sejam viscerais, surpreendam as pessoas. Mas mesmo dentro disso tudo tentem respeitar a história dos pretos, das mulheres , dos pobres, do Brasil, dos indígenas e façam a arte com o coração e é isso aí. Bebam bastante, fumem bastante, transem bastante e não perrequem a vida alheia.

Felix – Ah mano, o Rômulo já falou tudo (risos), em sumo é isso, mano… Se você quer fazer arte, principalmente no rap, busque o máximo de conhecimento possível, invista o máximo em autonomia, seja forte nos campos que você conseguir e faça parcerias inteligentes… Faça com o coração, a primeira pessoa a acreditar no seu bagulho tem que ser você. Se você não acredita, muda de profissão, vai escolher outra fita pra fazer… Vai ficar atrás da mesa de uma ADM, mas nada contra quem curte fazer isso , tá ligado?

Mas é que até que se prove ao contrário, é o seguinte.. A gente só tem essa vida pra conseguir os nossos bagulhos, então se você não acredita o suficiente, se você não parte pra cima, ninguém mais vai partir para você.

O primeiro passo antes de buscar conhecimento, autonomia e as parcerias é você memo, acreditar no seu bagulho. Se você não acredita nem sai da sua cama, fica lá.. Que daí você não atrapalha quem acredita.

Wendel – O RAP É O NOVO ROCK N ROLL!

De Manaus para o mundo: Victor Xamã

Entrevista via Mova-C

“… Mistério sempre há de pintar por aí…”, já dizia Bethânia e Gal naquele som lindo do Doces Bárbaros. Mas não é que pintou mesmo? Entre tons esotéricos, xamanismo urbano, poesia de rua e beats intensos, está Victor Garcia, 21 anos, mais conhecido como Victor Xamã, diretamente de Manaus, Amazonas.

De dentro para fora, o MC demonstra a forte admiração pelo Xamanismo e Esoterismo. Em 2015, durante a elaboração do álbum “Janela” – seu primeiro Ep solo que também foi lançado no mesmo ano, escute aqui – leu o livro “Xamã Urbano” de Serge Kahili King e se identificou ainda mais com o nome e com os seus significados. “Além de que o nome Xamã representa parcialmente de onde eu vim e representa a minha forma de fazer música, buscando tranquilizar ou questionar com sentimentos sinceros”, explica Victor.

Aos 12 anos começou a ouvir rap, com 14 já explorava o seu talento construindo rimas. Xamã explica que após Davi Dura, seu amigo de infância, ter lhe apresentado à música “Mr. Niterói” de Black Alien, ficou hipnotizado com a construção lírica e rítmica do som. Depois disso, não parou mais.

Observando a cena do hip hop, em especial o rap no Brasil, em grande parte da sua história a visibilidade dos trabalhos eram extremamente menores em relação aos outros gêneros, isso quando não eram representados de uma forma negativa pela mídia. Com os passar dos anos, a chegada da internet veio quebrando barreiras em relação à produção e divulgação de trabalhos independentes da cena.

Hoje é possível ver que isso mudou, porém, ainda assim o eixo Rio de Janeiro – São Paulo é o que concentra boa parte da divulgação e eventos que trazem nomes de grandes e novos grupos de rap no Brasil. Muitas vezes centralizando a indústria deste gênero na região sudeste do país.

Ao ser questionado sobre como é fazer rap em Manaus e sobre a visibilidade dos trabalhos em relação a outros lugares no Brasil, Victor Xamã comenta que é parecido com qualquer outro estado nos dias atuais, mas ressalta que “a cena é em menor proporção e você carrega uma responsabilidade muito grande de representar essa bandeira. Hoje em dia há uma infinidade de grupos e pessoas que trabalham pelo Hip hop na cidade de Manaus e no Norte como um todo, porém isso não tem muita visibilidade no Sudeste e em outros estados mais afastados. Infelizmente, ainda não temos a estrutura que merecíamos ter. Eu tive a sorte ou competência de fazer isso acontecer e estou trabalhando em parceira com o meu grupo Qua$imorto pra elevar ainda mais essa visibilidade.”.

Em 2015, o Spotify lançou o Musical Map: Cities of the World, um mapa interativo que apresenta quais músicas as pessoas escutam em diferentes cidades do mundo. EsteFB_IMG_1471882188154 guia trouxe algumas curiosidades e entre elas o rap é o gênero em que mais apareceu nas playslists dos usuários, independente do idioma e da localidade conforme o site  Tribuna Bahia (confira a matéria aqui).

No Brasil a quantidade de ouvintes é crescente e segundo Victor, a busca por trabalhos inovadores está aumentando o interesse por ouvir novos sotaques e combinações. O
público quer ser surpreendido. Para ele, hoje não importa muito o lugar que veio e sim o que faz e como faz, mas ainda é inquestionável que falta mais apoio e investimento para potencializar o cenário do rap fora do Rio de Janeiro e São Paulo.

 Álbum “Janela” e o grupo Qua$imorto

Confira entrevista com Victor Xamã sobre a construção e produção do seu primeiro trabalho solo que trás nove músicas e entre elas “Eu chorei nas margens do Rio Negro”, “Essa noite eu vou me embriagar com verdade” que conta com a participação de Makasliter e “Dual II” com Qua$imorto e Dalsin. Abaixo, ele também fala sobre o seu grupo, quando surgiu, quem faz parte e tudo mais. Veja:

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Trecho do clipe “Eu chorei nas margens do Rio Negro”, primeira música do Ep “Janela”.

O seu primeiro trabalho solo foi o EP “Janela”, que contou com a produção do Barba Negra, além das participações do Makalister e do Dalsin. Como foi o processo de construção do álbum?

O disco foi escrito em Salvador, gravado em Manaus e lançado em São Paulo. O processo de construção e criação foi algo pouco planejado sem muita pretensão, porém feito com muito carinho e dedicação por mim e por toda a Qua$imorto, ressaltando o Fernando Rabelo (Barba negra) que foi uma peça mais que fundamental na captação e mixagem das músicas em um curto período. As participações foi algo que fluiu de uma maneira muito simples e dando uma acrescentada extraordinária na obra. 

Quanto tempo levou todo processo de produção?

Os instrumentais feitos por mim não posso dizer com exatidão quando nasceram, porém me recordo que em maio de 2015 senti vontade de relatar o que estava acontecendo e concretizar aqueles sentimentos em uma obra física.

Por que “Janela”?

O álbum nasceu quando estava morando em Salvador, longe do conveniente e preso aos vínculos que deixava na minha cidade, Manaus.  A “Janela” significa meu conflito e a minha cura, significa a saudade que se transformou em observação. Parecia que tudo que me cercava era mais visível, a partir daquele momento eu senti a vida em alguns acontecimentos bem simples, observava o mundo pela janela do segundo andar, aprendia que deveria criar asas e não raízes e que aquele era o meu momento.

As suas letras são carregadas de referências, a tua lírica e flow também são bem ímpares. Quais foram as maiores inspirações para construção do EP?  Como foi esse processo?

No momento de escrita do álbum estava ouvindo muito MPB e lendo livros de cunho esotérico, acho que isso ficou bastante claro na atmosfera e construção de algumas músicas, tentei fazer as músicas diferentes, agradáveis e simples.

Se pudesse resumir, o que você queria ressaltar nas composições?
A saudade, a persistência, desejos e prioridades em uma balança gigante e a liberdade poética e lírica.

O seu primeiro contato com música foi com o Rap? Quais músicas inspiram você?

Meu primeiro contato com a música foi o rock progressivo com conhecidos e familiares. Os sons que me expiram bastante são: Jorge ben – Errare Humanum EstPink Floyd – Shine on Crazy DiamondSubsolo – Ninguém Ama os NáufragosSilk Rhodes – PainsXará – Hoje eu sei … São muitos.

Você tem planos para mais trabalhos solos? 

No momento estou focado na construção do disco da Qua$imorto, “Trajados de Preto na Cidade Calorenta e Abafada”. Porém, esse ano ainda sairá alguns singles inéditos com clipes do meu trabalho solo e tenho bastante vontade de trabalhar em um novo álbum.  

Como e quando surgiu a Qua$imorto ?

Qua$imorto foi um amadurecimento de ideias minhas e do Fernando Rabelo que cominou em um grupo de rap com cinco integrantes – Victor Xamã, Fernando Barba Negra, Luiz Caqui, João O Alquimista & Dj Maquinado – . Nossa forma de escrita convida a introspecção mas não se limita a rótulos ou estilos específicos. Qua$imorto surgiu há dois anos e meio, como a continuação do nosso antigo grupo, denominado P8crew. Percebemos que deveríamos amadurecer as ideias e fazer algo com uma nova cara.

O que está escutando atualmente:

Timber Timbre – Hot Dreams

Tim Maia – Racional

Obs: Não deixem de ouvir a Qua$imorto!

Quer conhecer mais sobre o trabalho de Victor Xamã e da Qua$imorto? Acompanhe aqui:

Facebook, YouTube – Victor Xamã

Facebook, YouTube – Qua$imorto

Criolo lança a regravação do álbum Ainda Há Tempo

Criolo_Ainda_Ha_Tempo

Em 2006, num cenário instável do rap paulistano, surgia o “Ainda Há Tempo”, primeiro disco do ainda Criolo Doido. Para comemorar os dez anos do disco, desde março, o rapper está em turnê que revisita o registro, que agora também ganhou uma nova edição.

Ganjaman reuniu grandes produtores brasileiros contemporâneos para reinterpretar o clássico underground. Dividem a lista de créditos nomes consagrados, de grife internacional, como Tropkillaz, artistas em evidência como Papatinho, Nave e Sala 70, e novas apostas como Deryck Cabrera. Sob a batuta de Ganja e do coprodutor Marcelo Cabral, o time cava fundo para transformar pedras brutas em joias perfeitamente lapidadas.

A regravação de “Ainda Há Tempo” (Oloko Records) é um marco por vários motivos A variedade de estilos dos produtores garante interpretações notavelmente distintas, o que poderia transformar o disco em pastiche. O toque de Ganjaman e Cabral, no entanto, opera pequenos ajustes e tece um fio condutor que harmoniza o conjunto. O resultado é enriquecedor.

No final, esse pequeno sumário de 10 anos de rap, Brasil e mundo pode deixar um gosto amargo, uma sensação de que nada mudou substancialmente. De fato, algumas coisas pioraram. Por outro lado, é admirável que um disco composto sem pretensões de grandeza, gestado em rodas de moleques de periferia, numa época de descrédito de um gênero todo, tenha sido o embrião de uma geração que conquistou um espaço sólido e grandioso na música brasileira. “Ainda Há Tempo” era cheio de preocupação e ceticismo, mas também transbordava a esperança de um compositor e de uma comunidade que não queriam sucumbir. “Não quero ver você triste assim, não. Que a minha música possa te levar amor”, Criolo cantava em 2006. Em 2016, ainda há tempo para ouvi-lo.

O lançamento digital do “Ainda Há Tempo” aconteceu no dia 6 de maio e você pode ouvi-lo direto do site: http://www.criolo.net/aindahatempo/

 

Ouça o novo single de Drik Barbosa

A música, “Sem Clichê” fará parte do primeiro álbum do DJ Will e tem participações de Hanifah e co-produção do Dj Nyack. Em suas redes sociais a artista revela que a canção é simples e direta. “A Sem Clichê alerta que temos que dar atenção à paz de espírito e o equilíbrio para que possamos sobreviver e brilhar em meio ao caos dos dias atuais”.

Em entrevista para a RedBull Drik não revela o lançamento do seu álbum, mas avisa aos fãs que em breve eles irão poder contar com novidades.

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Ouça o novo single da artista:

Rodrigo Ogi no Itaú Cultural

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Rodrigo Ogi  apresenta ao público as canções de seu segundo disco, Rá. Produzido pelo curitibano Nave, o álbum se comunica com o primeiro trabalho do rapper, Crônicas da Cidade Cinza (2010), na medida em que cada música funciona como um capítulo de um livro. Considerado um dos melhores álbuns de rap brasileiro em 2015, Rá conta ainda com parcerias de peso, como Rael (“Faro de Gol”), Kiko Dinucci e Juçara Marçal (“Correspondente de Guerra”), Thiago França (“Ha Ha Ha”) e Mao (“Estação da Luz”).

O Rap em Movimento estará presente neste evento fazendo uma cobertura especial.

 

Serviço

Dia e horário: Dia 8 de Abril às 20h

Local: Itaú Cultural – Sala Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149

Valor: Grátis- Os ingressos serão distribuídos com meia hora de antecedência-.

 

Álbuns que você precisa ouvir: GoodFellaz

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De uns tempos pra cá eu comecei a reparar que a maioria dos novos artistas de Rap estão fazendo sons mais comerciais, com um foco maior na questão “chiclete” que uma canção pode oferecer. Não acredito que isso seja algo ruim, muito pelo contrário, acredito que é de extrema importância que músicas de Rap fiquem fixas na cabeça do público, mas também não devem se esquecer da lírica de qualidade, até porque chiclete toda hora enjoa e não alimenta.

GoodFellaz mostra o alto nível do grupo 5 Pra 1 pra fazer música. É nítido nas canções como eles conseguem se equilibrar com maestria entre poesia e produção, aonde uma coisa não tira o foco da outra.

O disco não bate o tempo inteiro em uma tecla, ele alterna de forma leve de um tema para outro, e todos de certa forma tem uma ligação, com mensagens de alto estima e afirmação o grupo fez canções para refletir em qualquer lugar e em qualquer situação.

GoodFellaz é um trabalho muito bem feito que aparenta ser atemporal, vejo também como algo importante pro cenário atual do Rap, aonde boa parte dos Mc´s e grupos que surgem não conseguem colocar uma musicalidade mais brasileira em seus sons, seja na produção ou nas letras. Se até Kendrick Lamar gravou um samba

O disco tem ainda as participações de dois dos “pretos mais perigosos do Brasil”, Ice Blue avisando que é necessário coragem para amar alguém em Vários Lokinho  e KL Jay aconselha você à usar sua mente em O Golpe/Papo de Milhão. 

O disco foi lançado pela produtora Boogie Naipe, e tem esse nome em referência ao filme “GoodFellas” de Martin Scorsese. O grupo disse ter escolhido este nome pela questão de companheirismo e união.

Escute o disco GoodFellaz:

Bônus: recomendo também escutarem Kush & Garotas, EP lançada pelo grupo em 2014.

Álbuns que você precisa ouvir: Direto do campo de extermínio

“Aí ladrão, no campo tem dois personagens em cena: a bola e o jogador. Um nasceu pra chutar e o outro pra ser chutado. Só depende de você o papel que você quer protagonizar no filme de terror…”.

De forma intensa e atemporal, nasce em 2003 um dos maiores e mais importantes álbuns do RAP nacional, “Direto do campo de extermínio” por ninguém mais ninguém menos que Facção Central.

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O álbum é sexto da carreira do grupo, com 29 músicas divididas em um CD duplo. No mesmo ano do lançamento, o grupo conquistou o Prêmio Hutúz – uma das principais premiações do HipHop brasileiro – em duas categorias: Melhor álbum e Música do ano com o clássico “O Menino do Morro” – música inspiração para o livro de Bruno Rico, O Menino do Morro Virou Deus, lançado em 2013.

O que mais chama atenção nesse álbum é que cada música se torna um espelho, em que o reflexo da nova sociedade ainda reflete as mentiras, o ciclo de ódio, a segurança que mata e a mortífera desigualdade dos anos passados. Uma verdadeira obra literária marginal.

Já no primeiro som, você recebe na cara gritos de resistência e requintes de realidade nua e crua, “Prepare as algemas, forme o inquérito, abra o processo que eles estão de volta sem freio na língua, sem meia verdade, história engraçada ou frase bonita.”.

Sem mais delongas… Escute! Mas esteja preparado, o conteúdo é forte e não vai deixar os seus neurônios cativos. Clique aqui para ouvir

Facção Central

 

Álbuns que você precisa ouvir: Até Que Enfim Gugu

A única coisa que se pode esperar desta mixtape é se surpreender. Gostar de Rap e ouvir Até Que Enfim Gugu pela primeira vez é como repensar sobre o que é qualidade lírica.

Já na primeira faixa ele mostra que não é só mais um dos “faladores contando histórias”, até porque Gil Scott Heron é como uma aula de Hip Hop, onde em homenagem ao poeta ele manifesta todo o seu amor à cultura, mostrando para aqueles que chegaram agora o que ela é, e acaba sendo – mesmo que sem querer – um aviso para aqueles que dizem que “Rap tem que ser feito desse, ou daquele jeito”.

Um ponto surpreendente no disco é a habilidade de Marcello em contar histórias, com citações cabíveis e personagens bem montados, seja narrando uma overdose falando sobre os últimos 15 minutos de vida do Jimi Hendrix na faixa Jimi, ou uma história de amor ao estilo Transcontinental FM em Deixa o Tempo Dizer, é muito fácil se ver preso dentro das histórias e se identificar em diversos pontos de cada uma delas.

Outra coisa feita com muita maestria no disco são as metáforas, se ouvir Kariri sem saber o nome da música você com certeza não vai imaginar que ele homenageia uma bebida, talvez ache que Evita e Miss Hollywood sejam lovesongs e pense o mesmo só lendo o nome da canção número 10.

Lançar um disco com mais de uma skit de mais ou menos 7 minutos não é pra qualquer um, só pra quem tem talento lírico de sobra. Se duvidar, arrisque ouvir Indireta sem querer pedir alguém em casamento logo em seguida, ou não respeitar ainda mais o Nordeste e nordestinos depois de escutar Herói.

O disco conta com diversas participações, que dão mais peso na qualidade: Drik Barbosa, Filiph Neo, Diego Primo, Lenda ZN, Garcez DL, Leitty Mc, Sergio Ribeiro e Flow Mc, Origame e Reticências nas faixas Bônus.

Enfim, um disco bem feito, que vale a pena ser ouvido várias vezes e você não terá surpresas só na primeira escuta.

 

Link do álbum: https://www.youtube.com/watch?v=ZETuZJgzsMI