Álbuns que você precisa ouvir: Até Que Enfim Gugu

A única coisa que se pode esperar desta mixtape é se surpreender. Gostar de Rap e ouvir Até Que Enfim Gugu pela primeira vez é como repensar sobre o que é qualidade lírica.

Já na primeira faixa ele mostra que não é só mais um dos “faladores contando histórias”, até porque Gil Scott Heron é como uma aula de Hip Hop, onde em homenagem ao poeta ele manifesta todo o seu amor à cultura, mostrando para aqueles que chegaram agora o que ela é, e acaba sendo – mesmo que sem querer – um aviso para aqueles que dizem que “Rap tem que ser feito desse, ou daquele jeito”.

Um ponto surpreendente no disco é a habilidade de Marcello em contar histórias, com citações cabíveis e personagens bem montados, seja narrando uma overdose falando sobre os últimos 15 minutos de vida do Jimi Hendrix na faixa Jimi, ou uma história de amor ao estilo Transcontinental FM em Deixa o Tempo Dizer, é muito fácil se ver preso dentro das histórias e se identificar em diversos pontos de cada uma delas.

Outra coisa feita com muita maestria no disco são as metáforas, se ouvir Kariri sem saber o nome da música você com certeza não vai imaginar que ele homenageia uma bebida, talvez ache que Evita e Miss Hollywood sejam lovesongs e pense o mesmo só lendo o nome da canção número 10.

Lançar um disco com mais de uma skit de mais ou menos 7 minutos não é pra qualquer um, só pra quem tem talento lírico de sobra. Se duvidar, arrisque ouvir Indireta sem querer pedir alguém em casamento logo em seguida, ou não respeitar ainda mais o Nordeste e nordestinos depois de escutar Herói.

O disco conta com diversas participações, que dão mais peso na qualidade: Drik Barbosa, Filiph Neo, Diego Primo, Lenda ZN, Garcez DL, Leitty Mc, Sergio Ribeiro e Flow Mc, Origame e Reticências nas faixas Bônus.

Enfim, um disco bem feito, que vale a pena ser ouvido várias vezes e você não terá surpresas só na primeira escuta.

 

Link do álbum: https://www.youtube.com/watch?v=ZETuZJgzsMI